terça-feira, 26 de maio de 2015

Estudo 53: REENCONTRO DE JESUS COM OS DISCÍPULOS - cap. 20. 19 – 31.

Neste texto encontramos:
- Na tarde do domingo da ressurreição Jesus se reencontra com os discípulos. v. 19a.
- A saudação de Jesus. v. 19b. 
- Jesus em corpo glorificado mostra as marcas da salvação nos ferimentos das mãos e do lado. Os discípulos se alegraram ao rever o Senhor. v. 20.
- Jesus reafirma Sua saudação: “Paz seja com vocês!”. v. 21a. (NVI).
- Transferência de ministério apostólico. v. 21b; Hebreus 3. 1.
- Jesus simboliza num sopro o que aconteceria dez dias após Seu retorno à Casa do Pai, isto é, a vinda do Espírito Santo como havia prometido. v. 22; João 14. 16 – 17, 26; 16. 7 - 14; Atos 1. 4 – 5; 2. 1 - 13.  
- Apóstolos são nomeados porta-vozes de Deus na declaração do perdão divino para a salvação daqueles que acolhem a Graça de Deus pela fé em Jesus Cristo ou a retenção do perdão divino àqueles que a rejeitam. Nenhum líder está autorizado a declarar o perdão a quem Deus não perdoa e não perdoar a quem Deus perdoa. O líder é servo de Deus. Não recebeu autonomia para agir ministerialmente em seu próprio nome ou na satisfação dos desejos ou caprichos pessoais. v. 23; Mateus 12. 32;João 5. 30; 1 Pedro 5. 1 – 4. 
- Tomé (dídimo ou gêmeo) estava ausente no primeiro reencontro de Jesus com os discípulos. v. 24.
- Incredulidade e desafio de Tomé. v. 25.
- Jesus se reencontra com os discípulos uma semana depois. Tomé está presente. Saudação: “Paz seja com vocês”. v. 26. (NVI).
- Jesus desafia a incredulidade de Tomé. Solicita que toque nos ferimentos do Seu corpo. Adverte-o a crer e não mais duvidar. v. 27.
- Tomé, envergonhado, reconhece a realidade da ressurreição e a divindade de Jesus.  v. 28.
- Jesus repreende Tomé. O princípio do Evangelho é crer para ver e não ver para crer.  v. 29; Romanos 10. 17; 2 Coríntios 4. 18; 5. 7.
- João, testemunha ocular, registrou sete dos muitos sinais miraculosos realizados pelo Senhor Jesus. Foram suficientes para gerar fé nos ouvintes e leitores. v. 30.
- As obras do Senhor Jesus são provas incontestáveis de Sua filiação divina, messianidade e divindade. Nele temos vida plena e eterna. v. 31; João 5. 36; 10. 25. 37, 38; 14. 10.
VISÃO GERAL
A alegria dos discípulos ao se reencontrarem com Jesus ressurreto foi inenarrável. Alegria semelhante ocorrerá no arrebatamento da igreja quando os salvos serão atraídos a Jesus Cristo nos ares.
No primeiro reencontro de Jesus com os discípulos, Tomé estava ausente. Ao ser informado, se dispôs a crer se houvesse provas concretas da ressurreição.   Queria tocar no Ressuscitado para ter certeza de que Sua ressurreição correspondia ao que ouvira de Jesus e dos discípulos. Uma semana depois foi repreendido por Jesus pela incredulidade e falta de confiança nos seus conservos. Mateus 17. 22 – 23.   
FOCALIZANDO A VISÃO
 Após o encontro pessoal com Maria Madalena na manhã de domingo nas proximidades do sepulcro onde recentemente estava sepultado, o Senhor Jesus decidiu se reencontrar nesse mesmo dia à tarde com os discípulos. Segundo o evangelista Lucas apareceu a dois deles que retornavam de Jerusalém à Emaús, depois a Pedro e finalmente aos onze discípulos reunidos em uma casa totalmente fechada em Jerusalém. Lucas 24. 1 – 49.
Antes do reencontro, o ambiente entre os discípulos era de ansiedade, medo e desesperança. Temiam pelas ações da liderança religiosa após a morte de Jesus. Enquanto se apoiavam mutuamente nos sentimentos que lhes eram comuns visto que o futuro era desconhecido, os discípulos foram surpreendidos com a aparição do Senhor Jesus entre eles. A casa onde se reuniam estava totalmente fechada. Assim que os discípulos viram o Mestre receberam Dele a saudação oposta ao que estavam sentindo.  Disse Jesus: “Paz seja com vocês”. De repente os discípulos foram tomados por emoções contraditórias e naturais diante do inesperado e grandioso. A mesma voz reconhecida por Maria Madalena junto ao sepulcro era a que os discípulos ouviram. Agora a paz, a alegria e a esperança dominavam o ambiente antes tenso. Todos se sentiram seguros diante Daquele que os protegera e que continuaria guardando-os. Os discípulos permaneceram imobilizados porque não sabiam o que dizer ao Mestre. O apóstolo Pedro, líder reconhecido no grupo, ao ver o Senhor Jesus sentiu o peso insuportável das três negações. Dos onze achava-se o menos digno de dizer algo ao Senhor Jesus. Precisava de restauração e Jesus decidiu esperar o momento adequado para devolver-lhe a paz interior e recuperar a autoridade apostólica abalada pela fragilidade humana do antes ousado apóstolo. Somente Jesus, o ofendido por Pedro poderia perdoá-lo e restaurá-lo à vocação inicial e ao primeiro amor. Felizmente Pedro se deixou restaurar pelo Mestre ao rever e reaprender as lições de humildade e dependência dadas por Aquele que ainda o amava. 
Conforme o relato do apóstolo João, ao se reencontrar inicialmente com os dez apóstolos o Senhor Jesus, agora em corpo glorificado e isento de pecados, mostrou a eles as feridas da crucificação. Dos presentes, somente o apóstolo João tinha visto antes essas feridas porque acompanhou todo o processo da crucificação na companhia de Maria, mãe de Jesus e de outras mulheres. Pode ver que o rosto do Senhor Jesus antes desfigurado na cruz, agora voltara a ter uma nova aparência de quem estava pronto para retornar à Casa do Pai. O fato de terem novamente consigo o Mestre muito alegrou os discípulos.  Alegria indizível que um dia será a dos salvos ao verem o rosto do Senhor Jesus quando vier buscar a Sua igreja.
Enquanto conversava com os apóstolos e discípulos o Senhor Jesus transferiu a eles a responsabilidade apostólica recebida do Pai. A partir daquele instante foram convocados e nomeados para anunciarem as boas novas de salvação ao mundo. Como símbolo dessa chamada soprou sobre eles dizendo: “Recebam o Espírito Santo”. O sopro do Senhor Jesus representou a vida e o poder divino para anunciarem o Evangelho. Dessa forma Jesus os preparou para a chegada do Espírito Santo que iniciaria o Seu ministério no dia da Festa do Pentecostes, ou seja, dez dias após o retorno de Jesus à Casa do Pai. Nesse dia os apóstolos e discípulos que haviam sido convocados e nomeados entrariam no exercício de suas funções como membros da igreja do Senhor Jesus Cristo. O Espírito Santo só iniciaria o Seu ministério na igreja com o retorno do Senhor Jesus ao céu para exercer as Suas funções celestes: preparar a morada dos salvos e interceder por eles junto ao Pai. João 14. 1 – 3; 16. 7; Hebreus 8. 6; 1 João 2. 1.
A seguir o Senhor Jesus autorizou Seus discípulos a exercerem o ministério divino da concessão e da retenção do perdão. Tanto uma ação como a outra estão sob a direção e vontade de Deus revelada nas Escrituras. Cabe ao discípulo apenas exercê-la em nome do Senhor Jesus. O discípulo não está autorizado a exercer esse ministério de forma autônoma porque é seduzível ao pecado e o uso indevido de uma ação ou outra pode levá-lo a ser injusto e pecar contra o Senhor. O discípulo  está plenamente sujeito a quem possui o poder soberano de perdoar ou reter o perdão. É responsabilidade do discípulo ministrar o perdão a quem Deus perdoa e reter o perdão a quem Deus não perdoa. Como saber que decisão tomar? A resposta está na capacitação dada pelo Espírito Santo em Sua Palavra que leva o discípulo a receber o discernimento necessário para agir numa e noutra situação.
Em relação à salvação o discípulo segue o ensino do Senhor Jesus claramente expresso na manifestação do amor e da justiça de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”. João 3. 16, 36. Leia 1 João 5. 9 – 13.
A rejeição permanente do pecador ao oferecimento da salvação concedida por Deus em Jesus Cristo é pecado sem perdão. O mesmo Deus que não poupou o Seu Filho para a salvação do pecador não poupará da perdição eterna o pecador que O rejeita. É Deus e não o homem quem estabelece o plano e os critérios da salvação ou vida eterna da criatura com o Criador.  Romanos 8. 32; Apocalipse 20. 11 – 15; 21. 27.
Jesus Cristo foi fiel do princípio ao fim à missão entregue pelo Pai. Mateus 20. 28; Lucas 19. 10.
A melhor declaração de amor que alguém pode fazer a si e a quem o cerca é acolher e divulgar o plano de salvação em Jesus Cristo. A pessoa sábia é aquela que responde positivamente ao amor de Deus em Cristo. Seja sábio.
No primeiro reencontro de Jesus com os discípulos, Tomé estava ausente. Quando amigos de fé lhe falaram sobre o que ocorrera, prontamente duvidou e fez uma exigência: só creria nas palavras de Jesus ditas anteriormente aos apóstolos e ouvida por ele e na palavra dos demais, depois de tocar no corpo de Jesus e nas feridas sofridas na crucificação.
No domingo posterior, quando os discípulos voltaram a se reunir numa casa cujas portas e janelas permaneciam fechadas, Tomé estava com eles. Enquanto conversavam, repentinamente o Senhor Jesus apareceu entre eles e os saudou como era Seu costume: “Paz seja com vocês”. Após essa saudação se dirigiu pessoalmente a Tomé e fez-lhe um desafio e uma repreensão pública porque pública foi a sua incredulidade. Se desejasse, o Senhor Jesus poderia aparecer apenas a Tomé, mas decidiu confrontá-lo na presença dos demais discípulos: “Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos. Estenda a mão e coloque-a no meu lado. Pare de duvidar e creia”. (NVI). Envergonhado por suas palavras impensadas que revelaram incredulidade, Tomé disse a Jesus: “Senhor meu e Deus meu”. Não foram palavras de admiração apenas, mas de reconhecimento do senhorio, da autoridade e da divindade do Verbo humanado. Jesus ainda disse a Tomé que o princípio do Evangelho é crer para ver e não ver para crer. Constatar uma realidade não é expressão de fé, mas de reconhecimento do que se vê. Felizes os discípulos que não viram pessoalmente Jesus Cristo, mas Nele creem como Senhor e Salvador. O apóstolo Paulo reproduz esse princípio de Jesus com essas palavras: “Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos”; “Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê transitório, mas o que não se vê é eterno. 2 Coríntios 5. 7; 4. 18. Imitemos Paulo e não Tomé.
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Vamos ouvir e crer para depois ver. 
DETALHES
- Verdadeiramente Jesus ressuscitou. Leia 1 João 3. 1 – 3.  
APLICAÇÃO
- Persevere na fé em Deus. O que Ele prometeu, cumprirá.
PENSAMENTO
Fé é acolher como verdade para si o que Jesus diz e as Escrituras   revelam.
VERSÍCULO PARA DECORAR
“Tendo dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos se alegraram quando viram o Senhor”. v. 20.
ORAÇÃO
Senhor Jesus a Tua ressurreição garantiu a ressurreição dos salvos no grande dia do arrebatamento da igreja.    

sábado, 23 de maio de 2015

Estudo 52: A RESSURREIÇÃO DE JESUS - cap. 20. 1 – 18.

Neste texto encontramos:
- Domingo, de madrugada, ainda escuro, Maria Madalena retorna ao sepulcro e encontra a pedra removida. v. 1.
- Informação precipitada, fruto da imaginação. v. 2.
- Pedro e João vão ao sepulcro para confirmarem o que ouviram. v. 3.
- João chega primeiro, vê as faixas de linho, mas não entra. v. 4 - 5.
- O que Pedro viu.  v. 6 – 7. 
- O que João viu.  v. 8.
- Lentidão para crer nas palavras de Jesus. v. 9; Mateus 16. 21; 20. 18 – 19; João 12. 7. 
- Pedro e João saem do sepulcro e voltam para casa. v. 10.
- Abalada emocionalmente, a discípula de Jesus se coloca à entrada do sepulcro e chora. Ao olhar para o interior viu dois anjos sentados onde estava o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. v. 11 – 12.
- A pergunta dos anjos. v. 13a.
- A resposta de Maria Madalena. v. 13b. (NVI).
- Não reconhecimento temporário do Ressuscitado. v. 14.
- Jesus faz a mesma pergunta dos anjos. v. 15a.
- Imaginando que falava com o  jardineiro Maria Madalena disse que se ele O retirara do sepulcro, dissesse o local onde o pusera e ela o levaria consigo. v. 15b. 
- Jesus pronuncia o nome de Sua discípula e ela de imediato identifica a voz do Mestre e O chama. Busca segurá-lo. v. 16.
- Jesus pede a ela que não O detenha, mas vá anunciar o que viu e ouviu aos discípulos. Declara que voltava para o Pai e Deus Dele e dos discípulos. Essa forma de expressão era a manifestação plena de Sua humanidade, agora em estado de glória.  v. 17.
- Maria Madalena anuncia aos discípulos que vira o Mestre, conversara com Ele e deu a eles a mensagem que recebera. v. 18.
VISÃO GERAL
A caminho de Jerusalém o Senhor Jesus procurou preparar os discípulos para o que Lhe aconteceria em Sua última semana de vida. Deu a eles várias instruções e incluiu nelas informações sobre a Sua morte e ressurreição. Disse a eles que a liderança religiosa e a política se uniriam para crucificá-Lo. Três dias após a Sua morte, ressuscitaria. Mateus 20. 18 – 19.
Infelizmente os discípulos atentaram mais para a primeira parte da notícia – a morte e se esqueceram da segunda – a ressurreição. Essa ênfase fez com que se abatessem, permanecessem ansiosos e com isso o pleno entendimento ficou prejudicado. Daí a lentidão para crer no que viram assim que a ressurreição de Jesus se tornou realidade.
FOCALIZANDO A VISÃO
Maria Madalena a discípula que havia estado aos pés da cruz e que vira o sepultamento de Jesus se dirigiu na madrugada de domingo ao sepulcro para ungir o corpo do Mestre conforme o costume judaico da época. Ainda estava escuro. Segundo o relato do apóstolo João, assim que ela chegou ao sepulcro viu que a pedra que fechava a entrada havia sido retirada. Abalada emocionalmente com essa visão e conhecedora da iniquidade da liderança religiosa, imaginou que alguém havia retirado o corpo de Jesus do túmulo e o levado para local desconhecido. O evangelista Mateus nos dá uma informação adicional que justifica esse pensamento de Maria Madalena. Leia Mateus 28. 1 – 15.
A incredulidade dos religiosos em tudo quanto Jesus falava os levou a pedir a Pilatos que enviasse soldados para guardarem o túmulo, a fim de que, segundo eles, os discípulos não viessem furtar o corpo de Jesus e anunciassem mentirosamente a Sua ressurreição. O servil Pilatos fez o que os religiosos desejavam. As palavras de Jesus e não a imaginação dos religiosos é que prevaleceram porque eram verdadeiras. Com o tempo essa estratégia e mentira dos religiosos se tornaram do conhecimento público.
Abalada com o que vira, Maria Madalena saiu apressadamente do túmulo, procurou os apóstolos e lhes anunciou o que imaginara que acontecera: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!”.
 Sem pensar e sem demora, Pedro e João correram até o sepulcro. João chegou primeiro e do lado de fora viu as faixas que envolveram o corpo do Mestre, mas não entrou.
Ao chegar, Pedro entrou no sepulcro e viu que as faixas que enrolavam o corpo do Senhor Jesus estavam num lugar e o lenço que envolvia a cabeça do Mestre estava dobrado e ao lado das faixas. A seguir, João entrou no sepulcro e confirmou o que Pedro vira. Diante da tensão do momento, não lhes passou pela mente as palavras de Jesus de que ressuscitaria no terceiro dia após a Sua morte. Sem ter qualquer explicação para o caso, os dois discípulos retornaram ao seu local de origem.
Maria Madalena decidiu não se afastar do sepulcro até que o dia amanhecesse. Assentou-se ao lado e começou a chorar. Em certo momento se levantou e foi olhar o interior do sepulcro. Abatida e assustada viu dois anjos assentados, um à cabeceira e outro aos pés da pedra lisa onde José de Arimatéia e Nicodemos colocaram  o corpo de Jesus. Os dois seres celestes lhe perguntaram a razão do choro. Ela lhes respondeu que haviam levado o seu Mestre e ela não sabia onde O haviam colocado. Enquanto falava, um ser se colocou junto dela e lhe fez a mesma pergunta. Sem olhar para a pessoa que falava com ela, mas julgando que era o jardineiro, rogou-lhe que se ele havia tirado o corpo de Jesus do túmulo, dissesse o local onde O havia colocado e ela cuidaria dele. De repente o ser que falava com ela pronunciou o seu nome: Maria! De imediato ela reconheceu a voz do Mestre, voltou-se para Ele e O chamou da maneira usual: Rabôni ou Mestre e procurou segurá-Lo.
Jesus recomendou a ela que não O detivesse ali, mas fosse anunciar aos discípulos o que vira e ouvira e de que Ele se preparava para voltar definitivamente ao Seu Deus e Pai e também Deus e Pai dos discípulos. Nessas palavras Jesus revelou que estava identificado humanamente com os discípulos e as pronunciara colocando em relevância Sua natureza humana. É evidente que estava também dotado de Sua natureza divina, mas a aplicação de Suas palavras se refere a Sua humanidade e não à divindade porque Deus não pode ser Deus de Deus e Pai de Si mesmo. Jesus Cristo era e jamais deixou de ser o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, o Pai da Eternidade e o Príncipe da Paz. O entendimento das palavras de Jesus no diálogo com Maria Madalena, neste caso, tem significado específico e aqueles que têm o Espírito de Deus recebem discernimento espiritual para dar o sentido correto às palavras de Jesus.  Isaías 9. 6; 1 Coríntios 2. 14 – 16; Colossenses 2. 9 – 10.
Como era seu costume, Maria Madalena obedeceu imediatamente a ordem de Jesus e contou aos discípulos o seu encontro pessoal com o Mestre. Ele estava vivo!  Ressuscitara como havia prometido. Lucas nos informa que os discípulos não creram em Maria Madalena. Revelaram lentidão para crer até nas palavras do Senhor Jesus. Lucas 24. 1 – 11.     
Diante dessa incredulidade dos discípulos, o Senhor Jesus decidiu aparecer a vários deles em separado e depois diante do grupo dos onze dando provas de que realmente ressuscitara e estava pronto para retornar à Casa do Pai como tantas vezes lhes anunciara. 
Os salvos do presente século com as informações contidas na Palavra de Deus não podem reproduzir os erros dos discípulos e serem lentos no entendimento das palavras de Jesus. Nosso Mestre já nos alertou e confiamos em Suas palavras: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão”. “Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as palavras deste livro”. Mateus 24. 35; Apocalipse 22. 7.
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Jesus ressuscitou! Essa é a mensagem da igreja de Cristo. 
DETALHES
- Jesus deu o privilégio de Sua primeira aparição a uma mulher e discípula fiel: Maria Madalena.  
- A pedra do sepulcro foi removida por anjos não para que Jesus saísse, mas para que as pessoas entrassem no túmulo vazio e comprovassem a ressurreição de Jesus.
APLICAÇÃO
- Proclamar a ressurreição de Jesus e o Seu poder de salvar. 
PENSAMENTO
Os fiéis aguardam o retorno do Senhor Jesus. 
VERSÍCULO PARA DECORAR
Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”. E contou o que ele lhe dissera”.
ORAÇÃO
Obrigado Senhor por Tua vitória sobre a morte e que garante a minha vitória sobre ela.  

sexta-feira, 22 de maio de 2015

JOÃO - Estudo 51: SEPULTAMENTO DE JESUS – cap. 19. 38 – 42.

Neste texto encontramos:
- José de Arimatéia e Nicodemos  solicitam a Pilatos a permissão para retirar o corpo de Jesus da cruz e sepultá-Lo. v. 38a; Marcos 15. 43; Lucas 23. 50 - 51.
- Retirado da cruz o corpo do Senhor Jesus, José de Arimatéia e Nicodemos O levam para Lhe dar um sepultamento digno próximo dali. v. 38b; 39a. 
- Nicodemos providenciou trinta e quatro quilos de uma mistura de mirra e aloés para ungir o corpo de Jesus no sepultamento. v. 39b.
- Os dois discípulos envolveram o corpo de Jesus com faixas de linho e as especiarias seguindo o costume judaico de sepultamento. v. 40.
- Jesus foi colocado num sepulcro novo localizado no jardim próximo ao local da crucificação e de propriedade de José de Arimatéia. v.  41; Mateus 27. 60; Isaías 53. 9.
- Ainda na sexta-feira e antes do sábado judaico que se iniciava ao por do sol da sexta-feira, o corpo de Jesus foi depositado no túmulo novo. v. 42. Silêncio.
VISÃO GERAL
Jesus Cristo foi sepultado com dignidade por dois dos Seus discípulos discretos: José de Arimatéia e Nicodemos.
O sepultamento era apenas o segundo ato de uma série de quatro. O primeiro havia sido a morte substitutiva de Jesus na cruz do Calvário. O segundo ato foi o sepultamento. O terceiro ocorreria no primeiro dia da semana, domingo, com a ressurreição do Filho de Deus e Filho do Homem, em corpo glorioso e sem pecado. O quarto ato, privilégio reservado aos discípulos, foi o retorno glorioso de Jesus à Casa do Pai, em corpo glorificado e preparado para habitar o céu. Ali se assentou à direita do Pai. Atos 7. 55 – 56.
Jesus prometeu ainda um quinto ato: arrebatamento da igreja. Ocorrerá quando vier buscá-la  para Si. Ela é formada por judeus e gentios que de maneira consciente e voluntária acolhem a Graça de Deus pela fé em Jesus Cristo,  Senhor e Salvador. João 10.16.
A história comprovou a realização dos quatro primeiros atos. O quinto é aguardado pelos fiéis que pela adoração, louvor e serviço aguardam o seu Senhor. Números 23. 19; João 14. 1 – 3; Atos 1. 9 – 11; Tito 1. 1 - 2.
FOCALIZANDO A VISÃO
Com a morte de Jesus, José de Arimatéia e Nicodemos, discípulos discretos, foram à Pilatos e solicitaram autorização para a retirada do corpo da cruz a fim de sepultá-Lo dignamente. O primeiro era membro do sinédrio e o segundo um dos mestres entre os fariseus.  João 3. 1 – 21.
O evangelista Lucas traçou breve perfil de José de Arimatéia e o considerou como mais tarde provou ser, um homem bom e justo e que não tinha concordado com a decisão injusta e perversa do sinédrio de condenar Jesus à morte por crimes que Ele não cometeu: ofensa grave ao Nome de Deus e tentativa de rebelião contra o governo de Roma, declarando-se rei dos judeus, no sentido político. Lucas 23. 50 – 53.
José de Arimatéia, homem inteligente, cria na divindade e messianidade de Jesus provada a quem desejasse crer e manifestada nas obras realizadas e restritas a Deus: perdoar pecados, domínio sobre a natureza, domínio sobre o reino de Satanás, curas instantâneas e ressurreição de mortos.
Os judeus religiosos, questionadores da divindade de Jesus, não tinham argumentos para provar que Jesus não era Deus. Além disso, José de Arimatéia e Nicodemos sabiam que Jesus em momento algum ofendeu o Nome de Deus por declarar-se Seu Filho. Na verdade foi o Pai quem O apresentou ao mundo como Seu Filho. Mateus 3. 17. O relacionamento com o Pai visto em Suas palavras e ações provava por si só essa filiação.
Por outro lado, Jesus jamais manifestou qualquer desejo de se rebelar contra os romanos. A prova eram as reuniões públicas com milhares de pessoas. Em nenhuma delas jamais passou pela mente do Mestre mobilizar os judeus para instalar um governo político paralelo ao de Roma ou comandar um movimento armado com a intenção de expulsar os dominadores.
O Reino de Deus ou Reino dos Céus, tema do ensino de Jesus se referia ao governo  de Deus na vida de cada pessoa em termos de um relacionamento espiritual correto com Deus a ser visto na mudança do caráter, no relacionamento com as pessoas e na prática das boas obras.
Pelo conhecimento que José de Arimatéia tinha de Jesus, a decisão do sinédrio ao condená-Lo não fora justa ou sensata. Lucas 23. 50 – 51.
Em relação a Nicodemos se tornou conhecida entre os judeus a sua oposição veemente à prisão injusta de Jesus ordenada pela liderança religiosa e motivada por Seu ensino. Alertou-a de que a lei em sua manifestação de justiça e verdade deveria prevalecer sobre a ocasião ou o ódio contra Jesus. João 7. 50 – 51.
Com a morte de Jesus, José de Arimatéia e Nicodemos se uniram para dar-Lhe um sepultamento digno. Em um túmulo novo, pertencente a José de Arimatéia, bem próximo do local onde fora crucificado, O sepultaram. Envolveram seu corpo com faixas de linho embebidas em uma mistura de mirra e aloés. Enquanto preparavam o corpo de Jesus para o sepultamento, os dois discípulos de Jesus cujo ministério foi tão honroso quanto os demais, sob forte emoção e zelo fizeram o melhor que podiam nesse ato de homenagem pós-morte Àquele que havia entregado substitutivamente Sua vida para a salvação eterna de quem Nele crê como Senhor e Salvador.
Crentes verdadeiros fazem o melhor para Jesus porque o melhor Dele, a própria vida, a entregou por nós.
O apóstolo João não mencionou, mas Mateus, discípulo de Jesus, registrou que Maria Madalena e outra Maria estavam em frente ao sepulcro acompanhando à certa distância os preparativos do sepultamento. Mateus 27. 61.
Após o preparo do corpo de Jesus para o sepultamento antes do por do sol da sexta-feira, antes do grande sábado judaico, os dois discípulos colocaram-no sobre uma pedra lisa no interior do sepulcro. Fecharam o local com uma pedra e se retiraram.  Silêncio.
Nesse dia um silêncio inexplicável pairou sobre a cidade de Jerusalém: um fenômeno meteorológico na forma de densa escuridão ocorreu na cidade das doze às quinze horas pela contagem romana das horas ou da hora sexta à hora nona pela contagem judaica das horas. Era a reação da natureza diante do sofrimento extremo de Jesus. A escuridão revelou o estado espiritual de judeus e gentios em mais uma ofensa a Deus e a Seu Filho. O profeta Amós por volta dos anos 760 – 750 a. C. fez referência a esse fenômeno. Amós 8. 9. Os demais evangelistas, com exceção de João, registraram esse fato. Mateus 27. 45; Marcos 15. 33; Lucas 23. 44. Essa anotação dos três evangelistas revela o erro do copista do evangelho de João ao registrar o julgamento de Jesus por volta do meio dia. João 19. 14. O Espírito Santo dá discernimento aos servos de Deus para conhecerem a verdade. Esse é o Seu ministério. João 16. 13.
O silêncio pairou em todos os lares de Jerusalém, do mais rico ao mais pobre. Havia medo e expectativa pelo que poderia acontecer. Os sentimentos foram contraditórios: clamor pela justiça divina, ódio, compaixão, angústia, dor profunda, sentimento de perda, esperança e alívio. Algumas perguntas restaram no ar: Jesus ressuscitaria após três dias de Sua morte como havia anunciado? Quem poderia ressuscitá-Lo e como faria esse milagre? Como Ele venceria a morte? Uma vez ressuscitado como Ele voltaria à casa do Pai, ao céu? Por que Deus havia permitido que acontecesse tal injustiça com Seu Filho?
A liderança religiosa comemorou a morte de Jesus como uma vitória há muito tempo buscada e que graças à engenhosidade dos seus líderes havia se concretizado. Mantinham consigo a incredulidade e se perguntavam se o que Jesus havia prometido poderia ser realidade.
Uma pergunta tornou-se irrespondível: Por que o véu do templo havia sido rasgado de alto a baixo? Que significado espiritual ele representava para a continuidade das cerimônias visto que nesse local não mais estava a arca original perdida durante o cativeiro em Babilônia e que representava visivelmente a presença divina?
As áreas externas ao templo, antes com grande ajuntamento de multidões devido à presença de Jesus Cristo, voltaram a se esvaziar. Como se processariam as cerimônias religiosas com o Santo dos Santos em aberto? Era preciso aguardar. Os fatos estavam em conexão e eles não poderiam prever o que lhes aconteceria e ao templo. As palavras de Jesus ainda os atemorizava. Leia Mateus 23. 37 – 39. Mesmo depois de morto as palavras de Jesus permaneciam vivas. 
Pilatos, a esposa e o governo romano em Jerusalém perderam a paz porque não sabiam o que poderia ocorrer após a morte de Jesus. Haveria uma rebelião? Como se comportariam os discípulos de Jesus, o povo que amava Jesus e a liderança religiosa que O odiava? Quais seriam as consequências políticas diante da fragilidade de Pilatos frente aos líderes religiosos judeus?  A prática consciente da injustiça em relação ao julgamento de Jesus não o desqualificaria doravante como magistrado?
A páscoa judaica daquele ano se caracterizou não pela alegria da lembrança da libertação de Israel do domínio egípcio. Afinal, Israel ainda continuava em sua própria terra como povo cativo dos romanos, A humilhação era maior. Desfrutavam de uma falsa liberdade onde a palavra final era do dominador.
Jesus, o Cordeiro de Deus, tinha vindo ao Seu povo para resgatar o sentido espiritual da páscoa. Ele verdadeiramente poderia libertá-los do domínio de Satanás e da religiosidade hipócrita a que estavam submetidos. A nação sofria duplamente sob o domínio dos romanos e dos líderes religiosos que impunham o medo como forma de relacionamento.
A verdade que liberta, o Filho de Deus, havia estado entre eles, mas fora rejeitado. A rejeição ao amor de Deus em Seu Filho traria consequências espirituais e materiais à nação.       
Diante das indagações que vinham de todos os endereços, aquele era o momento de silêncio. Nada mais poderia ser feito senão aguardar a próxima ação divina. Como fizera no passado o Senhor daria a Israel uma resposta à  rejeição e à maldade contra Seu Filho. Como disse Jesus: “...Que não honra o Filho não honra o Pai que o enviou”. João 5. 23b.
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Depois de realizar tudo o que Deus determinou, permaneça em silêncio.
DETALHES
- mirra: resina de uma pequena árvore e da qual se faz perfume.
- aloés: suco tirado de uma planta e da qual se faz perfume e remédio.
- José de Arimatéia e Nicodemos de discípulos discretos passaram a ser ousados no momento em que os discípulos ousados se tornaram discretos. 
APLICAÇÃO
- Ocupe o seu lugar no ministério que Deus lhe reservou. 
PENSAMENTO
No Reino de Deus há lugar para discípulos ousados e discretos. 
VERSÍCULO PARA DECORAR
“No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, onde ninguém jamais fora colocado”. v. 41.
ORAÇÃO
Ajuda-me Senhor a servir com alegria no ministério reservado a mim no Teu Reino. 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

JOÃO - Estudo 50: CRUCIFICAÇÃO E MORTE DE JESUS – cap. 19. 17 – 37.

Neste texto encontramos:
- Jesus faz Sua última viagem missionária. Destino: Calvário.   v. 16b - 17.
- Jesus é crucificado entre dois malfeitores. v. 18; Mateus 27. 38.
- Placa de acusação preparada por Pilatos humilha Jesus e os judeus. É fixada na parte superior da cruz: “Jesus nazareno, o rei dos judeus”. v. 19; Apocalipse 11. 15; 15. 4; 17. 14; 19. 6.  
- A placa foi escrita propositadamente em três idiomas: aramaico, latim e grego.  v. 20;
- Sacerdotes questionam Pilatos sobre os termos utilizados e sugerem mudança. v. 21.
- Pilatos mantém os termos de acusação. v. 22.
- Roupas de Jesus são divididas entre os quatro soldados que realizaram a crucificação. Escrituras se cumprem. v. 23; Salmo 22. 18a.
- A túnica de Jesus por ser sem costura foi sorteada entre os quatro soldados. Escrituras se cumprem. v. 24; Salmo 22. 18b.
- Presença consoladora de Maria, mãe de Jesus e sua irmã, Maria, mulher de Clopas, Maria Madalena e de João, o apóstolo. v. 25. 
- Jesus olha para Sua mãe e ao discípulo a quem amava e os apresenta um ao outro a fim de que se adotem mutuamente como mãe e filho. v. 26 – 27a.
- Maria, a mãe de Jesus e João se acolhem mutuamente como mãe e filho e este a recebe em sua família. João era mais que amigo e apóstolo: um verdadeiro irmão. v. 27b; Provérbios 17. 17.   
- Na cruz Jesus cumpre as Escrituras e declara: “Tenho sede”. v. 28;
- Soldado embebe uma esponja com vinagre e a aproxima dos lábios de Jesus. v. 29; Salmo 69. 21.
- Jesus prova o vinagre após seis horas de sofrimento na cruz (9 às 15 h), declara encerrada a missão a Ele entregue pelo Pai, curva a cabeça e entrega o espírito ao Pai. Está morto o Filho de Deus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, isto é, daqueles que Nele creem como Senhor e Salvador. São quinze horas. No templo o véu que separava o lugar Santo do Santo dos Santos é rompido de alto a baixo. Com a morte de Jesus é estabelecido o Novo Testamento, a Nova Aliança no relacionamento de Deus com a humanidade. O relacionamento com Deus nos critérios da Antiga Aliança foi substituído e perdeu os seus efeitos. A Nova Aliança manteve apenas os princípios espirituais e morais inerentes ao caráter divino. Somente um ser divino/humano poderia fazer essa mudança. v. 30; Salmo 31. 5; Êxodo 26. 31 – 33; Lucas 23. 44 – 49; Hebreus 9. 11 – 28; 10. 19 – 25; 12. 22 – 29.
- Líderes religiosos judeus pedem a Pilatos que apressasse a morte dos crucificados quebrando-lhes as pernas. Não desejavam que os corpos permanecessem no madeiro no grande sábado da festa da páscoa que teria início ao por do sol daquela sexta-feira. Legalistas são insensíveis e sem compaixão. v. 31; Deuteronômio 21. 22 – 23.
- Soldados quebram as pernas dos dois homens crucificados ao lado de Jesus e que ainda estavam vivos. v. 32.
- Ao se aproximarem de Jesus e vendo que já estava morto não lhe quebraram as pernas. As Escrituras se cumprem. v. 33; v. 36; Êxodo 12. 46; Números 9. 12; Salmo 34. 20.
- Soldado perfura o lado de Jesus, já morto, com uma lança para se certificar de Sua morte. Sai sangue e água do ferimento. Escrituras se cumprem. v. 34; v. 37; Isaías 53. 5; Zacarias 12. 10; 1 Pedro 2. 24.
- João, o apóstolo, foi testemunha ocular dos fatos que relatou e o seu testemunho é digno de crédito. v. 35.
VISÃO GERAL
As Escrituras se cumpriram plenamente na vinda, na vida, no ministério, na morte, na ressurreição do Senhor Jesus e no Seu retorno à Casa do Pai.
Em palavras e obras o Filho de Deus foi zeloso para que tudo o que Dele estava escrito fosse cumprido. Escolheu a obediência à Vontade de Deus para honrar e revelar o Seu amor ao Pai e ao mundo. Isaías 34. 16; Jeremias 1. 12; João 3. 16.
Jesus não considerou Sua vida preciosa para Si mesmo, mas a entregou, consciente e voluntariamente, ao Pai e por nós a fim de que fosse possível revelar o amor, a justiça e a misericórdia divina na salvação do pecador.
A história da salvação, presente na mente eterna de Deus, teve início no Éden, prossegue na história e terá como culminância a eternidade com Deus daqueles que acolheram a Graça de Deus pela fé em Jesus Cristo e a eternidade sem Deus daqueles que rejeitaram o plano de salvação estabelecido pelo Criador.
A crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo representam o elo da reconciliação promovida por Deus a fim de trazer de volta a Si as criaturas que creem no Filho, Senhor e Salvador, o único e suficiente mediador aceito por Deus.
Os apóstolos Pedro, João e Paulo ao escreverem sobre o significado da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, conforme ensino recebido do Espírito Santo, viram o quanto o Deus de amor nos ama e fez o que podia para nos livrar da terrível perdição eterna. Somente Ele sabe o que significa o sofrimento eterno reservado aos incrédulos e zombadores.  
Na análise do alcance da morte de Jesus Cristo, os apóstolos e mais particularmente Paulo, em suas cartas, revelou que ela possui caráter substitutivo, expiatório e inclusivo.  
 Ao se apropriar dessas verdades e torná-las experiência na vida pessoal e pública, o cristão é prontamente reconhecido como regenerado, nascido de novo ou nova criatura em Cristo.
Apenas a visão histórica da morte e da ressurreição de Jesus Cristo é insuficiente para gerar a nova vida. A experiência pessoal dessas duas realidades é que torna o crente uma nova criatura em Cristo. Nessa condição está autorizado a ser testemunha da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Romanos 6. 3 – 11.
FOCALIZANDO A VISÃO
Após o injusto julgamento sob Pilatos, o Senhor Jesus foi entregue aos soldados encarregados de crucificá-Lo. Sob a ordem de Pilatos dois malfeitores foram escolhidos para serem crucificados na mesma ocasião. Mais uma vez as Escrituras foram cumpridas inconscientemente pelas autoridades romanas. Isaías 53. 12; Marcos 15. 28; Lucas 23. 32.  
Do palácio do governador, o Senhor Jesus levou o madeiro sobre às costas até certo lugar do percurso. Devido ao estado lastimável de Jesus e às Suas poucas forças, um homem do campo foi requisitado para completar a caminhada até o lugar denominado Caveira, Calvário ou Gólgota. Mateus 27. 32; Marcos 15. 21; Lucas 23. 26.
Assim que chegaram ao local da execução da pena, os três réus foram colocados sobre o madeiro e presos a ele com cravos que perfuraram e fixaram braços e pés à cruz. Era costume dos soldados oferecerem aos crucificados uma mistura de vinho com mirra para entorpecê-los. Jesus não aceitou tomar essa bebida porque desejou manter a Sua consciência em todo o processo. Essa decisão de Jesus validou o Seu sacrifício substitutivo.
Até na colocação de Jesus, no centro dos crucificados, as Escrituras se cumpriram: “...e foi contado entre os transgressores...”. Isaías 53. 12. (NVI); Lucas 22. 37.
Pilatos, em seu desejo de humilhar Jesus que não se amedrontou diante dele, e os judeus que o induziram ao erro aceito por ele,   mandou confeccionar uma placa na qual escreveu: “Jesus nazareno, o rei dos judeus”.
Durante o interrogatório no palácio do governo, o Senhor Jesus explicou a Pilatos o verdadeiro sentido do Seu reino, de natureza espiritual e eterna, mas o injusto e manipulado juiz não estava interessado em ouvir essa verdade.       Os líderes religiosos que haviam falsamente declarado sua submissão ao imperador César para ganhar os favores de Pilatos pediram-lhe que mudasse os termos da placa, mas não foram atendidos. Pilatos teve o cuidado de fazer o registro em três idiomas: aramaico, latim e grego, respectivamente, da nação dominada, da nação dominante e a língua comum às nações na época. Foi sua maneira irônica de anunciar Jesus às nações visto que nesse período das festividades da páscoa havia judeus e gentios de muitas nações em Jerusalém. Na festa de Pentecostes, cinquenta dias após a crucificação de Jesus, o Espírito Santo, honrando a Jesus Cristo, anunciaria de maneira correta o Nome de Jesus Cristo, Senhor e Salvador, às nações, através das testemunhas autorizadas por Deus, os apóstolos.   
Com as roupas do crucificado central nas mãos, os quatro soldados dividiram entre si as vestes de Jesus e fizeram sorteio da túnica. Cumpriram inconscientemente as Escrituras.
Testemunha ocular dos fatos o apóstolo João decidiu não registrar os detalhes do que ocorreu nas seis horas em que Jesus permaneceu em intenso sofrimento na cruz porque os outros evangelistas já haviam se ocupado desse relato.
A dificuldade em respirar e os gemidos devido às dores terríveis em todo o corpo foram indescritíveis.
Maria, a mãe de Jesus, sua irmã Maria, esposa de Clopas, Maria Madalena e João testemunharam todo o processo da crucificação na distância permitida pelas autoridades. Maria, por certo, se lembrou das palavras de Simeão quando profetizou a respeito de Jesus na ocasião em que Ele fora apresentado no templo. Leia Lucas 2. 34 – 35.
Ao perceber que Suas forças já se extinguiam o Senhor Jesus olhou para Sua mãe e para o apóstolo que amava e os apresentou um ao outro para que mutuamente se adotassem como mãe e filho. O filho primogênito de Maria em Sua hora final não tinha alguém mais adequado para cuidar de Sua mãe do que João, o apóstolo. Ele o conhecia muito bem e fora o único dos apóstolos que O acompanhara em todo o processo doloroso de Suas últimas horas na terra. Em atendimento ao Filho de Deus, Maria e João se acolheram como era o desejo de Jesus. Assim que tudo terminou, João a levou para fazer parte de sua família. Essa honra foi concedida a quem merecia honra. 
Assim que nasceu, Jesus foi adotado por José como filho que por Sua vez o adotou como pai terreno. Agora, em Sua morte, pediu que Maria e João se adotassem, respectivamente, como mãe e filho. Os salvos também são adotados por Deus em Sua família como filhos amados, a pedido do Filho amado, Jesus Cristo. João 17.
Após entregar Sua mãe aos cuidados do apóstolo amado, o Senhor Jesus, a Água da Vida, para cumprir as Escrituras disse que estava com sede. O suor excessivo do sofrimento e a perda contínua de sangue haviam desidratado o corpo de Jesus. Salmo 69. 21. Um dos soldados aproximou dos lábios do Crucificado um pouco de vinagre. Após provar esse líquido, o Senhor Jesus declarou encerrada a missão que o Pai Lhe havia entregado. Com um profundo suspiro de dor o Filho entregou Seu espírito e alma aos cuidados do Pai que a tudo assistia, mas que decidiu não poupar o Seu Filho da morte para que Nele tivéssemos uma nova vida, vida eterna iniciada no presente e que perdurará na eternidade com Deus. João 10. 10b; Romanos 8. 32; 1 João 5. 11 – 13, 20.
A insensível e insensata liderança religiosa judaica ocupada com os seus interesses e legalismo se dirigiu a Pilatos e pediu-lhe que quebrasse as pernas dos crucificados a fim de apressar-lhes a morte visto que se aproximava o grande sábado da páscoa a iniciar-se no por do sol daquela sexta-feira. Não seria aceitável que os corpos permanecessem à noite daquele dia na cruz. Pilatos atendeu ao pedido e determinou ao centurião que ordenasse aos soldados a quebra das pernas dos crucificados. Os soldados quebraram as pernas dos crucificados laterais e que ainda permaneciam vivos. Ao se aproximarem de Jesus viram que Ele estava sem vida. Para certificar-se de que   realmente morrera, um dos soldados pegou uma lança e transpassou um dos lados do corpo de Jesus. Não houve qualquer reação, mas do local do ferimento brotou sangue e água. O crucificado central verdadeiramente morrera.  Nessa ação, inconscientemente, o soldado cumpriu as Escrituras. O rei Davi e o profeta Isaías receberam do Espírito Santo a revelação dessas ações contra Jesus, respectivamente, mil anos e setecentos anos antes delas acontecerem. Salmo 22; Isaías 53.
O apóstolo João encerra o seu relato informando aos leitores que sendo testemunha ocular dos fatos que narrou, o seu testemunho estava de acordo com a verdade. Outras testemunhas citadas na descrição estavam habilitadas para confirmar o que acabara de relatar. 
A morte do Senhor Jesus foi considerada necessária ainda na eternidade pelo Conselho da Vontade Divina formado pelas três pessoas divinas que na história receberam o nome de Pai, Filho e Espírito Santo. Na mente divina e em Sua onisciência já sabia o que ocorreria na história da humanidade do princípio ao fim. O Deus que nos surpreende jamais será surpreendido por Suas criaturas. Isaías 44. 7; 46. 10.
No percurso histórico, a partir da queda no jardim do Éden, ao derramar sangue inocente na confecção de roupas de peles e vestir o homem e a mulher para que se apresentassem dignos diante de si e de Deus, o Criador já estabeleceu o princípio de que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. Hebreus 9. 22. Adão adotou esse princípio divino e o transmitiu a seus filhos. Abel se apresentou dignamente diante de Deus no culto que Lhe prestou e foi aceito. Os patriarcas mantiveram esse mesmo princípio na confissão de pecados. Ao deixar o Egito, o povo de Israel foi orientado por Deus para adotar esse mesmo princípio a fim de que pudessem iniciar a vida de liberdade e vida com Deus a partir do sacrifício do cordeiro pascal. Esse mesmo cordeiro esteve presente antes, durante e após a promulgação da Lei até que viesse o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, que se ofereceu como sacrifício perfeito e eterno para tornar os pecadores aceitos por Deus. Com a substituição da Antiga Aliança, reservada a Israel, pela Nova Aliança, estendida a toda a humanidade, Deus só nos aceita em Cristo reconciliados pelo Seu sangue. O Pai fez do Filho o único mediador perfeito e eficaz. Deus estava em Cristo quando nos reconciliou com Ele pela morte do Seu Cordeiro e filho unigênito. 2 Coríntios 5. 19.
A morte de Jesus Cristo tem caráter substitutivo porque somente Ele, homem justo, perfeito e sem pecado, poderia tomar sobre Si de forma consciente e voluntária o castigo que nos estava destinado pela santidade e justiça divinas pelo fato de nos rebelarmos contra Deus na pessoa de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Neles fomos punidos com a morte espiritual (separação de Deus) e morte física (separação do espírito e alma do corpo) pela degeneração promovida pela natureza pecaminosa inoculada em nós pela antiga Serpente, o Diabo ou Satanás. Uma vez unidos ao último Adão, Jesus Cristo, recebemos a vida de Deus pela reconciliação através do sacrifício vicário (substitutivo) de Jesus a favor daqueles que Nele creem como Senhor e Salvador. 1 Coríntios 5. 7b.
A morte de Jesus Cristo tem caráter expiatório porque só o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado. Somente purificados pelo sangue de Jesus somos qualificados para ter comunhão irrestrita com Deus através do Seu amor incondicional pelo pecador de acordo com o Seu caráter divino. 1 João 1. 7.
A morte de Jesus Cristo tem caráter inclusivo porque ao atrair o pecador à Sua morte na cruz, fez morrer espiritualmente com Ele tanto a natureza pecaminosa como seu praticante. Uma vez mortos espiritualmente com Cristo houve o rompimento com os princípios, valores e interesses da velha vida. Ao ressuscitar para nunca mais morrer, o Senhor Jesus nos incluiu espiritualmente em Sua ressurreição para dar-nos gratuitamente Sua vida para ser vivida por nós: vida indissoluvelmente ligada aos interesses de Deus na terra; vida abundante, vida eterna no presente e na eternidade com Deus. 2 Coríntios 5. 14 – 21.
Ao nos dar de Sua natureza humana para a vivermos na terra o Senhor Jesus nos capacita pelo mesmo Espírito Santo que Nele agia a viver em santidade de vida não oferecendo oportunidades ao pecado e à Satanás. A natureza do Filho de Deus em nós existente está voltada para agradar ao Pai na plenitude do nosso ser: espírito, alma (mente, emoções, vontade) e no corpo.
Uma vez crendo nessa verdade e fazendo dela a nossa experiência de vida nos preparamos para o grande encontro com Jesus Cristo por ocasião do arrebatamento da igreja. Então, seremos semelhantes ao Filho em Sua humanidade perfeita e Ele nos apresentará ao Pai na condição de filhos.  Essa será a nossa atração final a Ele por toda a eternidade. Leia João 3. 1 – 21; 12. 24, 32 – 33; Romanos 6; 7. 4; 2 Coríntios 5. 14 – 17, 21; Efésios 2. 6; Colossenses 3. 1 – 17; 1 Pedro 2. 24.   
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Em Cristo temos nova vida.
DETALHES
- Jesus Cristo foi fiel para que Nele aprendamos a ser fiéis.  
APLICAÇÃO
- Adotar a obediência de Jesus.  
PENSAMENTO
Jesus nos une ao Pai, Nele.  
VERSÍCULO PARA DECORAR
Jesus disse: ‘Está consumado’.  Com isso curvou a cabeça e entregou o espírito. v.  30.
ORAÇÃO
Obrigado Senhor porque a Tua obra foi completa.  

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Estudo 49: JESUS É CONDENADO À CRUCIFICAÇÃO - cap. 19. 1 – 16.

Neste texto encontramos:
- Pilatos manda açoitar Jesus para revelar sua autoridade e tentar conter o ódio dos religiosos: açoites, coroa de espinhos, capa de púrpura e zombaria. v. 1 – 3. 
- Pilatos reapresenta Jesus ferido diante da multidão. Com isso busca atrair a misericórdia dos presentes. Declara que não encontrou Nele culpa alguma. Sua estratégia não funciona. v. 4.
- Com o corpo ferido e ensanguentado, a coroa de espinhos na cabeça e a capa de púrpura, Pilatos afirma de Jesus: “Eis o homem”. v. 5.
- Ao verem o estado lastimável de Jesus, os sacerdotes e seus acompanhantes se uniram num coro diabólico solicitando Sua crucificação. v. 6a.
- Pilatos tenta fugir de sua responsabilidade na condenação do inocente e entrega Jesus à vontade dos Seus acusadores sugerindo que eles o crucificassem. v. 6b.
- Atitude contraditória dos judeus. Segundo eles, no cumprimento da Lei mosaica, Jesus era réu de morte porque havia declarado Sua filiação divina e assim ser um com Deus. No entanto, se recusavam a matá-Lo conforme determinava a Lei, isto é, por apedrejamento.   Transferiram aos romanos a aplicação da pena, mas por crucificação. A omissão dos judeus não os isentou de serem coautores da morte de Jesus que havia antecipado aos discípulos a forma como seria morto. v. 7; 20. 17 – 19.
- A insegurança de Pilatos é explorada pelos religiosos. Ele se revela desqualificado para sua função jurídica em relação aos acusadores e ao suposto réu. v. 8.    
- Pilatos tenta questionar Jesus, mas obtém o silêncio como resposta. Nada se deve declarar a quem já conhece a verdade. v. 9.
- Pilatos se irrita com o silêncio de Jesus e declara que tem poder para livrá-lo da morte ou crucificá-Lo. Um juiz manifestamente manipulável perde moralmente o seu poder de decisão mesmo que diga que o possua. v. 10.
- Jesus afirma com autoridade a Pilatos que o poder não estava nele, mas lhe fora dado temporariamente pela Autoridade divina por meio dos seus superiores. v. 11a. 
- Jesus disse que de forma injusta as autoridades religiosas O haviam entregado ao poder político. Estavam com um saldo devedor mais alto com Deus do que o de Pilatos. v. 11b.
- Pilatos empenhou-se para absolver Jesus, mas acabou por ceder aos desejos dos religiosos. O medo e a angústia o faziam transitar do bom senso à insensatez. v. 12a.
- Ardilosamente judeus mudam o sentido da acusação: de religiosa à política. Diziam que Jesus proclamava ser rei e com isso opunha-se ao imperador César. Abalado, Pilatos creu nessa mentira. Nesse ponto a habilidade dos religiosos superou a do magistrado e lhe decretou a derrota. Os judeus descobriram o ponto vulnerável de Pilatos: amor ao poder e não à verdade. v. 12b. (NVI). 
- Pilatos tenta ostentar sua autoridade inexistente depois de se recompor emocionalmente. Senta-se numa plataforma e da cadeira de juiz procura ridicularizar o suposto réu e seus acusadores. Declara: “Eis o rei de vocês”. v. 13 - 14.
- Hora sexta ou meio dia. v. 14: erro do copista. Confira com o registro de Mateus 27. 45 – 46; Marcos 15. 24 – 25, 33 - 37; Lucas 23. 44 – 46; João 18. 28. Obs. 1: se fosse meio dia, a crucificação de Jesus até Sua morte, com duração de seis horas, teria avançado no período de tempo do sábado judaico. Leia João 19. 31 – 33. Obs. 2: no período da hora sexta (meio dia) à hora nona (15 h) as trevas cobriram a terra. Jesus agonizava na cruz. Mateus 27. 45; Marcos 15. 33; Lucas 23. 44.
- Pilatos teatraliza julgamento com o objetivo de irritar os judeus e zombar de Jesus. Judeus pedem a morte do Messias e declaram que tinham como rei a César e não a Jesus. Reafirmaram o argumento que amedrontou Pilatos.  v. 15; v 12. 
- Vencido, Pilatos entregou Jesus à crucificação. v. 16. 
VISÃO GERAL
No julgamento de Jesus pelo poder político, os líderes religiosos e Pilatos chegaram ao seu limite no uso de  estratégias e argumentos: de um lado para livrar e de outro para condená-Lo à morte. A persistência dos religiosos movidos pelo ciúme e inveja venceu a omissão, o egoísmo, a soberba e a vaidade de um líder político fraco, mas ardiloso, irônico, incoerente e conivente e a de um magistrado sinuoso, escorregadio e incompetente para julgar. João 7. 24.
Os líderes religiosos no descumprimento do nono mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”, não economizaram palavras para torcer o sentido das palavras de Jesus sobre o Seu Reino. Por sua vez, Pilatos, mais interessado no poder do que na verdade se voltou tanto contra Jesus como contra os judeus e através da ironia zombou de ambos. Êxodo 20. 16.
Os judeus temiam pela absolvição de Jesus e Pilatos temia por Sua condenação.
Com a condenação de Jesus à morte, os judeus se sentiriam vingados em seu ódio a quem havia denunciado a hipocrisia daqueles que se diziam guardiões da Lei e servos de Deus, mas não obedeciam nem à Lei e nem à Deus. Pilatos viu na morte de Jesus, líder reconhecido entre o povo, uma forma de humilhar os judeus que O desejavam como rei político, mas tiveram os seus planos frustrados pelo próprio Jesus. João 6. 14 – 15.     
Nesses momentos de contradições, o Senhor Jesus deixou de usar o poder que possuía a Seu favor, seja em palavras o obras. Preferiu obedecer ao Pai e cumprir as Escrituras. Essa atitude de obediência mudou a história do mundo e a forma de relacionamento de Deus com a humanidade.
Àquele que aparentemente foi derrotado, a vitória Lhe pertence. 
FOCALIZANDO A VISÃO
 Intimidado pela liderança religiosa judaica e pela multidão manipulada, Pilatos ciente da inocência de Jesus decidiu ceder aos falsos argumentos dos judeus e autorizou a tortura física de Jesus.
A intenção inicial de Pilatos era torturar Jesus e apresentá-Lo ao povo em estado lastimável para que essa punição viesse satisfazer o ódio contido da liderança religiosa contra Jesus e assim diminuir o sentimento de rejeição e vingança a fim de que, acalmados os ânimos, pudesse libertá-Lo. Imaginava que a punição a Jesus teria um efeito pedagógico (ensino) e de catarse (esvaziamento emocional).  Para sua surpresa a estratégia apresentou o efeito contrário: o ódio contido contra Jesus ao invés de diminuir, aumentou e a multidão manipulada pediu a morte de Jesus por crucificação. A simples punição autorizada por Pilatos foi considerada insuficiente.
As palavras de Pilatos: “Eis o homem” teve como resposta: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Essa reação determinada da multidão descontrolou emocionalmente o juiz e foi percebida pela liderança religiosa que considerou inegociável qualquer tentativa de libertação de Jesus. 
Ao descobrir que seus esforços foram vãos, Pilatos transferiu à multidão a responsabilidade que seria sua como juiz. Pediu que eles O crucificassem se era o desejo deles. Essa atitude mostrou fraqueza de caráter e o desqualificou para continuar presidindo o julgamento. Jamais um juiz pode deixar a lei à parte e entregar o suposto réu ao desejo irrefreável de uma multidão enfurecida e manipulada.
Os líderes religiosos que haviam deixado em segundo plano a motivação religiosa para pedir a morte de Jesus, decidiram colocá-la em evidência: “Temos uma lei, e de acordo com essa lei, ele deve morrer porque se declarou Filho de Deus”. v. 7. (NVI).
Pilatos reintroduziu Jesus ao interior do palácio e tentou interrogá-Lo mais uma vez. Perguntou sobre a origem de Jesus e teve o silêncio como resposta. Incomodado e sentindo-se insultado, Pilatos disse a Jesus que Ele ainda estava em seu poder e poderia condená-Lo ou libertá-Lo.
Jesus disse a Pilatos que a autoridade que ele dizia ter lhe fora dada por outro, por alguém que estava acima dele. Em última instância é Deus quem permite a ascensão do homem ao poder para que o exerça dentro dos princípios da justiça divina. Pilatos não era tão autônomo quanto imaginava! Qualquer que fosse sua decisão deveria prestar contas a essa autoridade superior pela delegação de poder recebida.
Num último esforço, o bom senso recomendou a Pilatos o livramento de Jesus da morte. O recado de sua mulher veio a ele como um ultimato. Mateus 27. 19. 
A liderança religiosa ao notar o impasse e o estado emocional abalado de Pilatos apresentou-lhe um argumento comprometedor ao tocarem no lado mais frágil do político: manter-se no poder: “Se deixares esse homem livre, não és amigo de César. Quem se diz rei, opõe-se a César”. v. 12. Esse argumento transferiu o foco da decisão. Tirou-o do aspecto religioso e o colocou no aspecto político.  Esse argumento forçou Pilatos a tomar uma decisão: entre ficar com Jesus ou ficar com os homens, Pilatos decidiu atender aos seus interesses políticos e cedeu à multidão e à liderança que a manipulava.  Teatralizou sua decisão lavando suas mãos publicamente na tentativa de se isentar das consequências de sua sentença. Sua consciência, porém, o atormentou e o levou à decadência política. A falsa declaração dos líderes religiosos de que tinham apenas um rei ao qual deveriam obedecer, o imperador César, foi desmascarada por Roma no ano 70 d.C., quando após uma grande rebelião dos judeus, o imperador determinou que o general Tito reduzisse a pó a nação judaica espalhando-a pelas nações. Destruiu Jerusalém e o templo, marca da centralidade religiosa dos judeus. Esses desastres foram previstos pelo Senhor Jesus. Marcos 13. 1 – 2.
As Escrituras sempre se cumprem para a glória de Deus e para que as nações entendam que o Senhor reina.           
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- A maneira como administramos os impasses revela quem somos. 
DETALHES
- Pessoas de caráter dúbio, escorregadio e indefinido merecem o silêncio como resposta.
- O poder recebido de homens ou de Deus deve ser exercido com dignidade e responsabilidade porque dele prestaremos contas no presente ou no porvir.
- A fragilidade em um dos aspectos do caráter de uma pessoa pode levá-la à derrota. Peça a Deus que o capacite a superar suas fragilidades.  
- A área em que nos consideramos fortes é aquela que deve ser mais vigiada. A autossuficiência nos torna vulneráveis. 
APLICAÇÃO
- Manter o coração aberto para acatar os bons conselhos de
quem nos ama.  
- Buscar nas Escrituras os conselhos de Deus para cada dia. 
PENSAMENTO
Deus está interessado em capacitar aqueles que procuram o Seu conselho. 
VERSÍCULO PARA DECORAR
Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior”. v. 11. (NVI).    
ORAÇÃO
Dá-me Senhor sabedoria para tomar a melhor decisão.