terça-feira, 26 de agosto de 2014

1 TIMÓTEO - Estudo 12: CONSELHOS AO PASTOR, À FAMÍLIA E À IGREJA - cap. 5. 1 – 16.

Neste texto encontramos:
- Procedimentos do pastor e da igreja em relação aos idosos, jovens e viúvas. :
VISÃO GERAL
 Na instituição da família e da igreja, família de Deus, o Criador expressou nelas o Seu caráter amoroso, misericordioso e justo. Gênesis 1. 26 – 27. Estabeleceu para essas instituições fundamentos semelhantes que regem o seu funcionamento.
FOCALIZANDO A VISÃO
O ministério pastoral na família de Deus assemelha-se ao cuidado paterno no lar. Essa semelhança é razão suficiente para que a igreja tenha como líder um homem casado, verdadeiramente chamado por Deus, e cuja esposa esteja ao seu lado nesse ministério de amplitude maior que o lar. A autoridade espiritual e moral desse líder estão vinculadas ao conhecimento das Escrituras, ao preparo acadêmico e a vivência do que sabe e ensina no ambiente do lar e demais relacionamentos.        
É no lar, como autoridade amorosa sobre a família que o homem alcança sua plena masculinidade como marido e pai. É também no lar que a mulher, auxiliar do marido e corresponsável com ele pela administração da família onde exerce em parceria a autoridade sobre os filhos que ela alcança sua plena feminilidade como esposa e mãe. É no ambiente da paz conjugal que os filhos são acolhidos e educados para que reproduzam dentro e fora do lar o melhor do caráter dos pais. O apóstolo Paulo trata desse tema em Efésios 5. 22 – 33; 6. 1 – 4; 1 Timóteo 3. 1, 2, 4; 5. 8.
O aspirante ao ministério pastoral em cujo lar o respeito mútuo é considerado firma-se nessa base para construir novos, sadios e indispensáveis relacionamentos no exercício do seu ministério.  Os interesses do líder cristão estão voltados para o atendimento dos interesses do Reino de Deus e das necessidades de quem vai pastorear. O afastamento desses propósitos o desqualifica para o exercício ministerial.  
A saúde relacional no lar não é sinônimo de ausência de conflitos. Em Sua família terrena Jesus Cristo não ficou isento dos conflitos com seus irmãos maternos.  As diferenças individuais e a natureza humana sujeita ao pecado estão presentes em cada membro da família e precisam ser tratadas pela Palavra de Deus.  É na complexidade da vida em família que o jovem desenvolverá a inteligência e o discernimento necessário para lidar com um grupo maior formado por várias famílias de origem, cultura, formação e expectativas diferentes, mas carentes do governo de um servo de Deus que expresse em seu caráter o caráter do Bom Pastor – Jesus Cristo. O apóstolo firmado na Graça de Deus que o levou à obediência irrestrita a seu Senhor não tinha dificuldade em se apresentar à igreja como modelo de caráter. Aliás, recomendou que Timóteo adotasse o mesmo estilo de vida.  1 Coríntios 11. 1; Filipenses 4. 9; 1 Timóteo 4. 12.
Tanto no governo do lar quanto na igreja a sabedoria humana é insuficiente porque está restrita aos nossos limites. Daí a necessidade da sabedoria divina para que o melhor seja realizado em seu tempo e modo em todos os ambientes. O Deus de amor deixou em Sua Palavra o que precisamos para fazer o melhor onde Ele nos tem colocado. Diária e diligentemente precisamos buscá-la nas Escrituras. Assim faz o obreiro que deseja ser incluído na lista dos aprovados por Deus.  2 Timóteo 2. 15; Tiago 1. 5 – 8; 3. 13 – 18.
Semelhantemente ao ministério do Senhor Jesus o ministério pastoral possui momentos de alternância entre calma e conflito. Na calma o obreiro restaura suas forças no Senhor e em Sua Palavra para que nos conflitos o desgaste seja menor e a solução venha em menor tempo. A exemplo do Senhor Jesus, o pastor é pessoa que ama sem esperar ser amado, consola sem esperar ser consolado. Sofrerá menos se viver em graça do que em mérito. Diante dessa realidade precisa estar em permanente contato com a Palavra de Deus e na comunhão com o Pai para que seja restaurado  em suas forças. Caso contrário será consumido por aqueles que o procuram. Esse autoinvestimento na vida espiritual permitirá que ele tenha saúde espiritual, mental, emocional, volitiva (vontade) e física para servi-Lo. Uma vida bem nutrida está capacitada para restaurar pessoas e nutri-las. Jamais o pastor deve se convencer de que é um homem superior ou diferente dos demais, mas alguém que depende de Deus para que tenha suas forças continuamente renovadas. O pastor inteligente é humilde e está pronto para abrir-se a relacionamentos enriquecedores. Se adotar essa conduta terá à sua disposição pessoas fiéis, discretas e maduras na fé prontas para ajudá-lo ministerialmente. O líder precisa de exemplos vivos de homens que estão passos à sua frente na mesma função que exercem no Reino de Deus.  Eles são indispensáveis na saúde espiritual e emocional do pastor que manterá com eles uma relação de confiança. Com eles terá a oportunidade de partilhar suas aflições ou recorrer a seus conselhos.
Jesus Cristo, em Sua humanidade, tinha o Pai como Seu mentor. A Ele recorria diariamente em diálogos de oração para receber o que precisava no cumprimento da agenda ministerial estabelecida pelo Pai. Os discípulos tinham a Jesus como mentor e Timóteo contava com o apóstolo Paulo que por sua vez submetia-se à mentoria  do Espírito Santo.
A mútua mentoria quando for possível é determinante na partilha do peso da carga ministerial. A mentoria a partir de livros de boa qualidade também agrega conhecimentos e orientações que qualificam o exercício do ministério pastoral. A esse respeito o apóstolo Paulo que investia continuamente em sua vida espiritual e acadêmica recomendou que Timóteo fizesse o mesmo. O servo fiel se dedica à audição e leitura de tudo o que é bom. Examina tudo e retém o que é útil. Romanos 15. 14; 1 Timóteo 4. 13; 2 Timóteo 4. 13.
Na presente recomendação o apóstolo Paulo orienta Timóteo na forma de relacionar-se com os idosos, os jovens e as viúvas. Cada faixa etária ou condição civil requer um atendimento que leve em conta seu perfil psicológico e experiências anteriores. De posse desse conhecimento o pastor se habilitará para oferecer eficaz e prudente aconselhamento. O princípio a ser considerado é: Deus nos orienta, mas não toma a decisão por nós para que a responsabilidade da escolha recaia sobre aquele que ouve ou deixa de ouvir o conselho. Se Deus assim age, a mesma ação será a do servo que Ele colocou para pastorear o Seu rebanho: sem manipulação, domínio ou controle.
Na medida em que uma pessoa passa de um estágio a outro em sua vida, a partir da primeira infância até à mais alta idade e mesmo na condição civil, o atendimento será sempre específico porque somos específicos como pessoas.  A excelência e a incomparabilidade do ministério pastoral está em que ele trata das pessoas em sua dimensão histórica com vistas à  eternidade.
Somente alguém verdadeiramente chamado por Deus é capacitado pelo Espírito Santo para a realização de tão grande obra: o ministério pastoral. Nesse momento nos lembramos de Moisés, Josué, Esdras e os apóstolos cujas vidas foram instrumentos de Deus para cuidar do
Seu povo. 
Paulo recomenda a Timóteo que no cuidado pastoral com os idosos seja paciente e evite qualquer tratamento áspero com eles. A idade avançada em razão do desgaste mental, emocional e físico pode levar alguns a adotar um comportamento infantilizado e incompatível com a maturidade que deles se espera.  A lentidão própria dos idosos requer que o pastor seja amoroso e paciente para que não haja mútuo desgaste. Com os idosos o pastor procurará exercitar o carinho de um filho com o seu pai ou sua mãe. Quem amparou em nossa impaciência precisa ser amparado em sua impaciência ou mau humor.
Em relação aos jovens o pastor manterá com eles o relacionamento de irmão mais velho e que os ama. Esse amor se manifesta em alertas, ensino e consolação. Os jovens precisam ser educados para que deem bom curso e destino à sua inexperiência, impetuosidade, força e ousadia inerentes à idade. Incentivará os jovens para que invistam o melhor no seu presente para que no futuro possam se orgulhar do que fizeram no passado. Os jovens devem ser lembrados de que entre as escolhas há aquelas que são irreversíveis e que deixam marcas inapagáveis na vida pessoal, da família e dos descendentes. A juventude é um período maravilhoso na vida como é maravilhosa uma flor em sua exuberância e beleza. Breve se irá como um vento que espalha de forma desordenada as folhas que estão no seu percurso. Rapazes e moças precisam ser ajudados a olharem com objetividade e inteligência a realidade presente que sem dúvida será determinante na realidade futura porque tudo passa.   
Por fim o pastor deve estar atento para as carências e situações vividas pelas pessoas cujo estado civil mereça sua atenção. No caso citado pelo apóstolo Paulo a atenção está voltada para as viúvas tanto na juventude como na idade avançada. Com o afastamento de Deus e Sua Palavra a realidade vivida pela família, igreja e sociedade tornou-se mais complexa e novos temas tem desafiado essas instituições. 
Paulo parte do princípio de que na igreja o atendimento a quem necessita de ajuda é responsabilidade primeira da família. É na família que o caráter cristão é construído. Cabe à família amparar na carência e na fase de dependência as mães e as avós que ampararam seus membros desde a mais tenra idade. Não é justo sobrecarregar a igreja com encargos que podem perfeitamente ser atendidos pela família. Caso a família não tenha recursos ou a quem recorrer, a igreja assumirá a responsabilidade para dar-lhes apoio. Esse apoio deveria alcançar as viúvas mais idosas que estavam impossibilitadas de prover o seu próprio sustento devido às deficiências físicas próprias da idade avançada. As viúvas mais jovens deveriam ser orientadas a reconstruírem a vida conjugal e em família  com novo casamento se esse fosse o desejo delas. Havia na igreja algumas viúvas não avançadas em idade que trocaram os interesses de Deus para sua vida pelos próprios interesses pessoais e isso as levou à uma vida desregrada e que causava vergonha ao Evangelho. Essas mulheres revelavam com essa atitude de rebeldia que jamais haviam crido verdadeiramente na verdade do Evangelho e por isso se fizeram servas do Diabo ao fazer-lhe a vontade.
Diante dos desafios enfrentados pela igreja é a Palavra de Deus que deve ser considerada e não decisões do governo civil em parceria com o mundo sem Deus.   “É preciso antes obedecer a Deus que aos homens!”. Atos 5. 29. (NVI). 
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- O mútuo pastoreio é enriquecedor. Romanos 15. 14.
DETALHES
- A igreja deve cuidar de todos. 
APLICAÇÃO
- Cultivar o mútuo pastoreio.
PENSAMENTO
Pastorear é dar-se plenamente.
VERSÍCULO PARA DECORAR
“Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como irmãos; as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza. Trate adequadamente as viúvas que são realmente necessitadas”.  
ORAÇÃO
Abençoa Senhor, os pastores fiéis à Tua chamada.  

quarta-feira, 30 de julho de 2014

1 TIMÓTEO - Estudo 11: SAÚDE MINISTERIAL - cap. 4. 6 – 16.

Neste texto encontramos:
- O ministro aprovado por Deus é aquele que está bem nutrido com as verdades da fé evangélica que é a sã doutrina. v. 6.
- O ministro aprovado por Deus exercita-se no ministério da piedade, isto é, no conhecimento e na prática da verdade que há no Evangelho. Não se ocupa com fabulas, modas e mitos. Conhece, vive, anuncia e ensina a Palavra. Não filosofa sobre ela. v. 7; Esdras 7. 10; Filipenses 4. 9.
- O ministro aprovado por Deus exercita a piedade cristã. Ela beneficia a todos. Seus frutos são vistos e saboreados no presente e os seus efeitos alcançam a eternidade. O exercício físico tem apenas benefícios pessoais e temporais. v. 8; Eclesiastes 9. 10; Apocalipse 14. 13.  
– O ministro aprovado por Deus reproduz em sua vida, mensagens e ensino o que aprendeu com servos experientes e fiéis. Considera o que ouviu como digno de aceitação porque tem como fonte as Escrituras. v. 9. 
- O ministro aprovado por Deus trabalha e luta porque tem colocado sua esperança no Deus vivo e Salvador daqueles que Nele crêem. Seu trabalho jamais será em vão mesmo que pessoas vãs assim o julguem. v.10; 1 Coríntios 15. 58.
- O ministro aprovado por Deus exerce a liderança fundamentada no que aprendeu da Palavra de Deus e de servos fiéis a ela. v.11.
- O ministro aprovado por Deus, mesmo sendo jovem, ganha a confiança e a honra dos mais experientes e da igreja porque se deixa capacitar pelo Espírito Santo para ser o exemplo dos fiéis. v. 12.
- O ministro aprovado por Deus traz à público as Escrituras para alertar, encorajar e ensinar seus ouvintes. v. 13.
- O ministro aprovado por Deus não negligencia os dons que o Espírito Santo lhe concedeu para pastorear a igreja de Deus, v.14; 1 Coríntios 14. 3.
- O ministro aprovado por Deus busca a excelência no que faz. É diligente e determinado. O amor de Deus que nele age o leva a amar a Deus com todo o ser, a amar-se adequadamente e a amar seus semelhantes, em particular aqueles que foram separados do mundo por meio do Evangelho a fim de viverem uma vida separada para Deus em santidade e honra. v. 15.   .  
- O ministro aprovado por Deus mantém em alta a vigilância sobre sua vida pessoal e coletiva e o zelo pela doutrina que lhe cabe anunciar e ensinar. Sua coerência com o Evangelho o salvará e trará consigo à vida eterna os seus ouvintes. v. 16.
VISÃO GERAL
O apóstolo Paulo investiu na saúde ministerial do seu filho na fé, Timóteo.  Mostrou a ele que a autovigilância e o zelo pela integridade e fidelidade doutrinária são colunas indispensáveis na construção de um ministério sólido, sadio e produtivo.
A exemplo de Paulo, Timóteo trabalhava com pessoas e respondia por elas diante de Deus que as havia entregue como ovelhas ao seu cuidado pastoral. Hebreus 13. 17. Caberia a ele a responsabilidade de conduzi-las espiritualmente à luz das Escrituras para que tivessem no presente a qualidade de vida disponibilizada pelo Criador e no porvir a eternidade com Deus.  Por essa razão, disse Paulo que o ministério pastoral é excelente obra reservada a pessoas especialmente chamadas por Deus. 1 Timóteo 3. 1.
Paulo se colocou como exemplo de vida ministerial para Timóteo e ambos, como ministros do Evangelho, tinham diante de si o padrão elevado de vida adotado por Esdras. Este servo de Deus foi o responsável pela reconstrução espiritual e moral de Israel no retorno do cativeiro babilônico. Leia Esdras 7. 10.
Quem honra o Senhor e o seu chamado procura cultivar sua saúde ministerial. 
FOCALIZANDO A VISÃO
O ministro aprovado por Deus cultiva um ministério sadio. A saúde ministerial está vinculada ao exercício do ministério da piedade, vivido de forma reverente ao que Deus estabeleceu em Sua Palavra. É responsabilidade do ministro conhecer, vivenciar, anunciar e ensinar com fidelidade as verdades que há no Evangelho.
Ao escrever ao seu filho na fé Timóteo, o apóstolo Paulo, experiente e fiel servo de Deus, colocou sua vida como exemplo de saúde ministerial. O conhecimento que Timóteo tinha do apóstolo Paulo era resultado da convivência ministerial desde o dia do seu encontro por ocasião da visita do apóstolo a sua cidade. A partir dali passaram a caminhar juntos tendo as experiências comuns de quem se deixa conduzir pelo Evangelho de Jesus Cristo. Atos 16. 1- 5..
A submissão de Paulo aos interesses do Reino de Deus e o relacionamento com seus parceiros ministeriais e a igreja em geral eram fatos conhecidos. Podia, sem receio, apresentar-se à irmandade como alguém que era o que Deus o havia feito ser. Sua intimidade com Deus o imunizara dos elogios e críticas. Estas mais persistentes que aqueles como é comum acontecer no ministério de quem verdadeiramente serve ao Senhor com integridade de vida. 
Na vida de Paulo nada que vinha dos homens ou das circunstâncias o abalava em sua fé porque sua convicção de chamada ministerial, vida com Deus e esperança na promessa da vida vindoura o animava a prosseguir e isso ele fez até o final de sua vida como  revelou mais tarde a Timóteo. 1 Coríntios 11. 1; 15. 10; Filipenses 4. 2 – 9; 2 Timóteo 4. 6 - 8.
O que Paulo ensinava e escrevia era o que vivia. Seu mentor era Jesus Cristo cuja vida ministerial o ensinou à prática da coerência. 
Nada o podia deter ou convencer de afastar-se da vida irrepreensível inerente a quem serve a Deus pelo Evangelho. Seu novo nascimento ou morte e ressurreição com Jesus Cristo o movia a viver a vida de Cristo em si. Romanos 6; Gálatas 2. 19 – 20.
Não havia reservas entre o pai e o filho na fé. Sendo assim Timóteo não se deteve em se deixar influenciar pelo caráter cristão cultivado pelo apóstolo Paulo. Ele era verdadeiramente um ministro aprovado por Deus e possuía autoridade espiritual e moral para aconselhá-lo. Era um privilégio tê-lo como mentor e ser seu parceiro ministerial de confiança. Filipenses 2. 19 – 26.
Timóteo acolheu com alegria as palavras de Paulo que o confortaram, o encorajaram e o consolaram na realização da missão que lhe fora entregue. 
O desejo de Paulo e que se transformou no propósito de Timóteo foi ser considerado um obreiro aprovado por Deus. Com esse desafio procurou seguir as instruções de quem verdadeiramente o amava e o havia adotado como filho na fé.
Timóteo procurou cultivar uma vida ministerial disciplinada nutrindo-se com as verdades da fé evangélica, a sã doutrina que deveria não somente anunciar, mas vivê-la e ensiná-la. Nada substitui a prática da coerência na vida  ministerial.  
Timóteo zelou pelo uso inteligente do tempo que dispunha. Afastou-se de fábulas, mitos e doutrinas de homens que buscam trazer peso às pessoas. Apresentou o Evangelho em sua integridade. Somente ele dá qualidade de vida, alegria e liberdade para quem busca agradar a Deus e não aos homens ou a si mesmo. 
Por ser jovem Timóteo deveria priorizar os exercícios espirituais para que tivesse  uma fé robusta a ser partilhada com aqueles a quem pastoreava. Esse investimento resultaria em rendimentos  no presente e no porvir.
 Ao cultivar um ministério firmado na maturidade cristã Timóteo ganharia a confiança e a honra dos servos mais experientes na fé. Deixou-se capacitar pelo Espírito Santo em Sua Palavra para que fosse exemplo dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza. Essa conduta comprometida com a vivência do Evangelho o tornou em servo honrado por Deus e por aqueles a quem liderava. O empenho por manter pura a consciência proporcionou-lhe autoridade espiritual e moral no ministro.
É responsabilidade intransferível do ministro aprovado trazer à público, em todas as oportunidades, a Palavra de Deus, seja na forma de alerta, encorajamento, ensino ou conforto. Empenha-se também para que as mensagens expressem a Vontade de Deus para quem a ouve. Faz uso dos  dons que o Espírito Santo lhe concedeu para exercer com competência e eficácia o ministério que lhe foi entregue. Busca continuamente a capacitação espiritual e acadêmica que precisa para realizar o melhor que o Senhor colocou a sua disposição.  Nesse trabalho deixa-se mover pelo amor de Deus para que possa amá-Lo como convém, amar-se adequadamente afim de que não se deprima ou se exalte e por fim amar aqueles a quem Deus ama e aos quais serve por ser ministro do Evangelho.     
O ministro aprovado por Deus não é o que era, não constrói sua autoimagem no presente ou no que almeja ser, mas se deixa transformar para que seja o que Deus quer que seja visto que não mais se pertence, mas é servo de quem o chamou para essa excelente obra.
Com esses desafios e objetivos em mente o ministro aprovado mantém em alta a sua vigilância como ensinou Jesus. Jamais dispensa sua comunhão permanente com Deus pela oração. Sabe que o inimigo não dorme e por isso se entrega aos cuidados daquele que não cochila e nem dorme. Salmo 121. 
Esse foi o legado que o apóstolo Paulo deixou para seu filho na fé e aos ministros que na igreja de Deus se dedicam na realização do  que é agradável ao Senhor.
A releitura das orientações de Paulo a Timóteo é fonte segura de capacitação para os atuais obreiros. Deus tem interesse em abençoar Seus servos fiéis. 
Felizes os ministros que humildemente se colocam na condição de servos ensináveis.  
A decadência ministerial tem como ponto de partida  a convicção enganosa de que nada mais a aprender com os líderes experientes cujas vidas se tornaram inesquecíveis na história. Na galeria da história da igreja Paulo ocupa lugar de honra porque honrou seu Senhor. Ele tinha o que dizer e disse tudo no tempo que o Senhor lhe reservou.  .   
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- O autoinvestimento na vida espiritual e em relacionamentos que edificam gera saúde ministerial. 
DETALHES
- O ministro aprovado por Deus elabora os projetos ministeriais fundamentado nas Escrituras e no conhecimento acadêmico que venha contribuir para o exercício de um ministério eficaz. Jamais se deixa conduzir pela rotina, pelas modas teológicas (ventos de doutrina) ou pela improvisação.
- Deus revela em Sua Palavra o Seu caráter e propósitos. Quanto mais dela temos em nós, mais de Deus temos em nossa vida. 
- Use as palavras e ações para expressar o amor de Deus e não para se armar contra as pessoas. 
APLICAÇÃO
- Transformar em pensamentos, palavras e ações o conhecimento obtido com as Escrituras.  
PENSAMENTO
O ministro aprovado por Deus renova-se a cada dia como se renovam as manhãs. Renovar-se é rejuvenescer-se.  
VERSÍCULO PARA DECORAR
“Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”.  
ORAÇÃO
Renova-me Senhor segundo o teu querer.

terça-feira, 29 de julho de 2014

1 TIMÓTEO - Estudo 10: O ESPÍRITO SANTO ALERTA A IGREJA - cap. 4. 1 – 5.

Neste texto encontramos:
- Ocorrências dos últimos tempos em relação a alguns crentes: v. 1 – 3:
a) abandono do verdadeiro Evangelho;
b) seguimento de doutrina de espíritos enganadores (doutrinas de homens);
c) seguimento de doutrinas de demônios anunciada por homens;
d) a desobediência determinada à Palavra de Deus insensibiliza a consciência e gera a mentira e a hipocrisia. Estas dão origem a doutrina de homens e de demônios.  
e) doutrina de homens: proibição do casamento e aparente celibato vivido na impureza;
f) doutrina de homens: restrição de alimentos alegando motivos espirituais;     
- O que Deus criou e disponibilizou para o homem a fim de ser recebido com ações de graças é bom e permitido. v. 4 – 5.
- Tudo o que se ajusta ou harmoniza com a Palavra de Deus e pode ser motivo de oração é santo. v. 5. 
VISÃO GERAL
O alerta do Espírito Santo transmitido a Timóteo pelo apóstolo Paulo tem ecoado na história da igreja e com mais ênfase em nossos dias.
Por volta do ano 64 d.C., as  palavras proféticas desse alerta  eram uma realidade distante para aqueles irmãos que ainda mantinham o fervor do primeiro amor apoiados pelo pastoreio visível da maioria dos apóstolos nomeados pelo Senhor Jesus. Hoje essa mesma mensagem anunciada há quase dois mil anos é realidade concreta nas igrejas contemporâneas. Seu cumprimento espantoso incomoda até os céticos.
FOCALIZANDO A VISÃO
 O apóstolo Paulo transmitiu a Timóteo o que o Espírito Santo lhe revelou claramente sobre a realidade a ser vivida pela igreja nos tempos finais e que antecederá o arrebatamento. 
Antes, o Senhor Jesus ao falar sobre os tempos do fim os associou aos dias de Noé no período que antecedeu ao dilúvio: aumento da perversidade e inclinação permanente da humanidade para a prática do mal.
O livramento divino da família de Noé que sobreviveu ao dilúvio por estar na arca está vinculado ao livramento da igreja por estar em Jesus Cristo – a arca da salvação. Salvação providenciada por Deus e que exigiu a morte substitutiva do Jesus Cristo. Nenhum custo, porém, foi exigido da humanidade. Ela foi disponibilizada em Jesus Cristo para aqueles que crêem, isto é, consideram  verdade para si o que Deus declara em Sua Palavra a respeito da missão reconciliadora e salvadora do Messias. Gênesis 3. 15; 6. 1 – 22; Mateus 24. 32 – 44; João 3. 16; 1 Timóteo  2. 3 – 6; Hebreus 11. 7.   
As palavras proféticas de Jesus Cristo e do Espírito Santo são convergentes e apontam para um período de turbulência a ocorrer na igreja de Cristo nos últimos tempos,
As palavras transmitidas pelo apóstolo Paulo por revelação do Espírito Santo se referem àqueles que convivem com o povo de Deus da Nova Aliança, mas não estão aliançados com Jesus Cristo. Não nasceram de novo. Eles se dizem crentes, mas não transferem como prática em suas vidas o que sabem do Evangelho. A permanente rebeldia as conduzirá inevitavelmente ao abandono da fé. Essa atitude será mais evidente no tempo determinado nas Escrituras. Pessoas habituadas a ouvir a verdade e que permanecem em deliberada desobediência se tornam insensíveis a ela e abraçarão sem demora a mentira. Tornam-se presas de homens ímpios que mantém sobre elas o seu poder pela manipulação, domínio e controle. São crentes, mas não salvos. Crentes porque não podem negar o poder do Evangelho na vida dos renascidos. Não salvos porque seus frutos denunciam o estado de penumbra em que se encontram: não querem ser luz e nem trevas. O Evangelho, no entanto, é absoluto em seus conceitos: os salvos são sal e luz. Mateus 5. 13 – 16.
É fato que os verdadeiros filhos de Deus não se desviam do Caminho proposto pelo Pai e muito menos da Verdade que há Nele e por isso tem em si a Vida que provém de Jesus Cristo, Senhor e Salvador. O Espírito Santo que neles habita dá-lhes discernimento e inteligência espiritual para viverem em permanente fidelidade e submissão a Deus e Sua Palavra. São conduzidos na vida presente  até alcançarem a eternidade com
Deus. 
 O hábito de frequentar a igreja  do Senhor, mas não estar sob o governo do Senhor da igreja faz toda a diferença. Quem declara sua independência de Deus passa a se autogovernar para sua própria perdição. 2 Tessalonicenses 2. 10 – 12.
Se o caminho das trevas à luz é trabalhoso e exige a intervenção divina nessa transição, o caminho da luz às trevas, pela falta de vigilância e oração do caminhante é de fácil percurso porque seu destino é descendente até chegar ao lago de fogo preparado para o Diabo, seus anjos e seguidores. .
A missão satânica é desencaminhar os crentes e afastá-los dos propósitos de Deus. A missão do Espírito Santo é levar os crentes ao novo nascimento.  
Veja o que aconteceu com Judas Iscariotes, o crente. Tiago 2. 19.  Depois de caminhar três anos com o Filho de Deus, conhecer o Seu ensino, poder e exemplo e ainda prestar serviço no Reino de Deus ainda assim permaneceu insensível. Não se deixou transformar pelo que viu e ouviu. Era um espectador, um crente, um religioso, um ‘amigo do evangelho’, mas não um salvo. O hino 237 do Cantor Cristão descreve o estado de tais pessoas: ”Tão perto do Reino, mas sem salvação; tão perto, porém, sem Jesus sem perdão”. Esse apóstolo não mais poderia caminhar com Jesus Cristo porque estava em desacordo com seu Mestre. Excedeu-se de tal maneira em sua maldade que foi chamado de Diabo. João 6. 70. Não confiou na competência do Salvador para salvá-lo. Após a traição colocou seu pecado acima da Graça de Deus. Com essas ofensas ao Filho de Deus, ao Pai que O enviou e ao Espírito Santo a quem não deu ouvidos, acabou por ser presa fácil do Tentador a quem se entregou aos cuidados. Reproduziu como homem o que fez o anjo de luz, mais tarde Satanás, antes da criação do mundo ao se rebelar contra Deus. Esse apóstolo tornou-se parceiro do Diabo que o adotou como filho da perdição. Jesus Cristo não poderia fazer pelo traidor o que era da responsabilidade deste. Amós 3. 3; João 6. 70; 17. 12.  
O caminho da luz às trevas é prazeroso no início, mas o seu fim será inevitavelmente a perdição eterna. Essa realidade o inimigo se empenha por ocultá-la dos seus seguidores. Mateus 25. 41; Apocalipse 20, 10.
Em outra ocasião, ao falar novamente sobre o fim da história, o Senhor Jesus declarou que o aumento da iniquidade no mundo levaria muitos ao esfriamento na fé. Isso alcançaria tal dimensão que no retorno do Filho do Homem, o temor a Deus e a fé evangélica seriam tão raros que poderiam chegar à quase inexistência. Mateus 24. 12; Lucas 18.8b.
A ausência do temor ou da reverência para com Deus traz consigo os escândalos. O espantoso é que seus autores e atores são pessoas que antes eram reconhecidas como dignas de confiança e de conduta aparentemente irrepreensível em razão do seu conhecimento das Escrituras e função no Reino de Deus.
Deus disponibiliza Sua Graça e Misericórdia para a salvação àqueles que arrependidos se voltarem para Ele a tempo de passarem pelo novo nascimento e serem incluídos na família de Deus como filhos. Os salvos são conhecidos pelos frutos que produzem. Mateus 7. 16 – 20.
Na igreja do Senhor Jesus a  ortodoxia (conhecer e crer nas Escrituras da forma correta) e a ortopraxia (aplicar corretamente à vida a verdade do Evangelho)  caminham juntas. Caso contrário a incoerência prevalecerá e a hipocrisia será manifesta. Não foi sem razão que o apóstolo Paulo ao se despedir em Mileto da liderança da igreja em Éfeso deu aos ministros um alerta importante. Atos 20. 17 - 38. Anteriormente, em carta aos irmãos da igreja em Corinto, o apóstolo Paulo já havia dito: “Assim aquele que julga estar em pé, cuide-se para que não caia”. 1 Coríntios 10. 12. (NVI).  O salvo não abre mão de sua dependência do Senhor.   
O contínuo autoexame à luz das Escrituras mostra verdadeiramente onde estamos e onde devemos chegar no relacionamento correto com nossos semelhantes e com Deus. Esse exercício  espiritual traz à superfície pecados a serem confessados e abandonados para que ocorra o perdão a fim de que a vida de Cristo se manifeste no salvo. Provérbios 28. 13; 2 Coríntios 5. 17; Gálatas 2. 19 – 20.
Jesus Cristo e os primeiros cristãos enfrentaram a oposição satânica que usou como instrumento homens religiosos, legalistas e ímpios, na forma de perseguição, tortura e morte. Essa estratégia satânica não funcionou porque os cristãos foram qualificados e se multiplicaram nas perseguições. Diante desse fato a estratégia satânica foi radicalmente mudada.
Em sua persistência o inimigo faz uso de sua antiga estratégia, o falso evangelho, a enganosa notícia, com o objetivo de afastar a humanidade do Criador. No falso evangelho Jesus sai do centro e o homem ocupa o seu lugar. O Filho de Deus deixa de ser o cabeça da igreja e o homem exerce essa função. Assim age o humanismo no Evangelho associado ao liberalismo teológico. É a manifestação da teomania (mania de ser Deus) proposta pela antiga pós-modernidade. O ponto culminante da ação anticristã ocorrerá com a manifestação do homem do pecado, o Anticristo. A igreja que se plenifica a si mesma adota o estilo denominacionalista de Laodicéia e que diz possuir tudo, mas deixa do lado de fora o tudo que ela precisa – o Senhor Jesus Cristo. Apocalipse 3. 14 – 21.
Jesus Cristo orientou Seus seguidores a colocarem Deus em primeiro lugar. Uma vez tomada essa decisão as demais coisas recebem o suprimento divino a seu tempo. Mateus 6. 33.
Com o advento e o avanço da tecnologia da comunicação, uma contradição foi estabelecida: aproximação virtual de quem está distante e afastamento pessoal de quem está perto. A tecnologia ao facilitar as atividades humanas permitiu a geração de mais tempo livre, Para preencher esse tempo livre adicional ela gerou o entretenimento para ocupar as pessoas com o que não é essencial para suas vidas. Ai estão as redes sociais e os jogos eletrônicos para todas as idades a fim de que as pessoas se mantenham ocupadas consigo mesmas e com os seus interesses e não com os interesses do Reino de Deus.
Muitos crentes que frequentam a igreja contemporânea já têm acesso às ferramentas para abandonar a fé, seguirem a doutrina de homens e de demônios. Se não vigiarem e não pedirem a direção de Deus serão envolvidos pelo sutil, sinuoso e insinuante caminho da Serpente, Satanás. Ele oferece o entretenimento que distrai as pessoas para que não tenham tempo para  a leitura e meditação na Palavra de Deus e para o relacionamento interpessoal que enriquece o caráter dos cristãos. Que frutos poderão produzir aqueles que não investem  em sua vida espiritual? 
Veja em torno de si as pessoas que estão entretidas ou ocupadas  com programas de televisão, internet, telefones com inteligência virtual e outros tipos de plataformas eletrônicas. Com certeza, não poucas horas do seu dia estarão voltadas para seus interesses pessoais. Hoje os efeitos especiais e a superficialidade de filmes e jogos da internet já ocupam o tempo que poderia ser usado na leitura ou conversa  entre pessoas.   
O uso indiscriminado da tecnologia tem formado pessoas consumistas, egoístas, superficiais, soberbas, vaidosas e violentas. Isso é visto também nas nações  em ebulição como previu Jesus Cristo e as demais Escrituras.  
Hoje o homem se coloca como medida padrão para si mesmo. Daí as doutrinas e práticas opostas às Escrituras.  Como exemplo citamos o culto à personalidade dos líderes denominacionais, mais honrados e citados nos seus feitos do que o próprio Senhor Jesus; transformação da igreja em empresa com uma visão bancária onde o profano e inútil ocupa o lugar do santo; transformação da igreja em feudo onde a dinastia familiar garante a posse pessoal dos bens adquiridos coletivamente; submissão da igreja ao governo de homens e não de Deus; desprezo pelo estudo coletivo da Palavra de Deus; divulgação na igreja de ensinamentos que enaltecem a prosperidade financeira e não a prosperidade espiritual como se a vida terrena fosse eterna e a vida eterna apenas uma imaginação do Filho de Deus; doutrinas de demônios que transferem a objetos, amuletos e imagens poderes espirituais; acolhimento de uniões conjugais em oposição ao que Deus estabeleceu nas Escrituras; imposição de um celibato vivido em impureza; defesa de práticas imorais como se a Graça de Deus liberasse o pecado no meio do Seu povo; ensino irreverente da Palavra de Deus; adequação religiosa ao que Deus considera abominável em Sua Palavra; práticas litúrgicas de natureza duvidosa onde o que se fala não é o que se vive; doutrinas que proíbem o consumo de determinados alimentos criados por Deus para serem recebidos com ações de graças. Com esse acervo de doutrinas humanas e de demônios o verdadeiro Evangelho e Jesus Cristo ficam fora das portas da igreja e é desse lugar que Jesus fala às igrejas que seguem o modelo de Laodicéia: Leia Apocalipse 3. 20. Aquele que se recusa a ouvir quem é a PORTA da salvação não será ouvido quando essa porta se fechar. João 10. 7
O alerta dado pelo Espírito Santo leva-nos a uma autoavaliação à luz das Escrituras para sabermos se estamos dentro ou fora do Reino de Deus.
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Permaneçamos fiéis à Palavra.
 DETALHES
- O Espírito Santo alerta a igreja. É nossa responsabilidade responder a esse alerta.
APLICAÇÃO
- Obedecer plenamente a Palavra.
PENSAMENTO
Ouvir é sinônimo de obedecer.
 VERSÍCULO PARA DECORAR
 “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios”.
ORAÇÃO
Ajuda-me Senhor a ser fiel à Tua Palavra. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

1 TIMÓTEO - Estudo 9: O MISTÉRIO DA PIEDADE - cap. 3. 14 – 16.

Neste texto encontramos:
- Paulo envia a carta, mas deseja ver Timóteo e falar pessoalmente com ele. v. 14.
- Verdades a serem conhecidas pela igreja. v. 15.
- O mistério da piedade consiste na verdade revelada do Evangelho anunciada por Jesus e reafirmada por Paulo: a) o Verbo eterno encarnado na pessoa de Jesus Cristo veio ao mundo com uma missão: buscar e salvar o perdido; b) governado e aprovado em Seu ministério terreno e ressurreto pelo Espírito Santo; c) acompanhado ministerialmente pelos anjos em todo o Seu ministério; d) anunciado como Senhor e Salvador entre as nações; e) acolhido por aqueles que Nele crêem; f) recebido pelo Pai e o Espírito Santo em Sua glória de onde retornará a fim de buscar a Sua igreja para que a tenha Consigo eternamente.  Isaías 53; João 1. 1 – 5, 10 - 14, 8. 24;   10. 10b; 14. 1 – 3; 15. 22, 24 - 25; 16. 28; Mateus 1. 24; 2. 13 – 14, 19 – 21; 3. 17; 17. 5; Lucas 1. 26 – 38; 2. 9 – 15; 19. 10; 22. 43; Atos 1. 9 – 11; Romanos 8. 11; Hebreus 1. 3; 2. 17; 4. 15; 1 João 3. 1 – 3.
VISÃO GERAL
Ao escrever a Timóteo, seu filho na fé, já no exercício do ministério pastoral, o apóstolo ansiava por vê-lo pessoalmente. Nada satisfaz mais a quem ama do que ver a pessoa digna dos seus afetos e falar com ela. O amor paterno de Paulo por Timóteo era reconhecido por ele que havia feito do apóstolo seu mentor. Era a pessoa mais idônea com quem poderia abrir o seu íntimo, aprender e se sentir capacitado na obra do ministério pastoral. Nada como ter ao lado alguém experiente e que tem prazer em partilhar o que sabe conosco.
 Ao escrever à igreja em Filipos, três anos antes de enviar a primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo fez essa declaração a respeito do seu filho na fé:Espero no Senhor Jesus enviar-lhes Timóteo brevemente, para que eu também me sinta animado quando receber notícias de vocês. Não tenho ninguém que, como ele, tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês, pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai. Portanto, é ele quem espero enviar, tão logo me certifique da minha situação,   confiando no Senhor que em breve também poderei ir”. Nessa época Paulo estava preso em Roma. Filipenses 2. 19 - 24. (NVI).  
As orientações a Timóteo, registradas nessa carta pessoal, tinham o objetivo de capacitá-lo ministerialmente e ensinar os santos e fiéis a se comportarem na família de Deus, a igreja  do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. Era necessário que a igreja  aprendesse pelo Evangelho a se relacionar corretamente com Deus, entre os irmãos e aqueles que ainda não eram cristãos.
FOCALIZANDO A VISÃO
Na sequência da redação de  sua carta a Timóteo o apóstolo Paulo se manifesta sobre o mistério da piedade, isto é, a revelação que Deus fez de Si em Seu Filho e da missão que Lhe foi entregue e plenamente cumprida. Essa revelação da verdade do Evangelho citada pelo apóstolo é a reafirmação do que o Senhor Jesus disse aos apóstolos nas orientações finais antes de Sua morte: “Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora deixo o mundo e volto para o Pai”. João 16. 28.
A obra perfeita do Senhor Jesus já havia sido definida na eternidade pelo conselho da vontade divina em decisão unânime das três pessoas da Divindade em Sua unidade como Deus único. Apocalipse 13. 8b.
Na eternidade o relacionamento divino era apenas de natureza espiritual e pessoal. O tratamento paternal ou filial era inexistente e desnecessário porque Deus é Espírito e como Espírito se relaciona com os Espíritos que Lhe são iguais. As Escrituras designam o Deus plural e incriado em Sua unidade e relacionalidade em suas primeiras citações. Gênesis 1. 1, 26 - 27; 11. 5 – 9.
O relacionamento paternal e filial só ocorreu na história quando o Verbo, Deus com Deus, se tornou homem na pessoa de Jesus, o Cristo, o Messias. Esse nome humano lhe foi dado por ordem divina considerando sua missão reconciliadora e salvadora. Mateus 1. 18 – 25. Somente a partir de Sua humanidade é que Jesus Cristo passou a se relacionar com Deus chamando-O de Pai e este O apresentou ao mundo como Seu Filho amado. Mateus 3. 13 – 17; Lucas 2. 48 – 52; 23. 46;  João 5. 19, 30. Esse entendimento é fundamental para que as palavras de Jesus sejam compreendidas tanto no exercício da natureza divina quanto da natureza humana.  
O mistério da piedade, a verdade revelada do Evangelho, existente na eterna mente divina foi apresentado progressivamente na história pelo próprio Deus após a queda da humanidade na pessoa do seu representante legal, o primeiro Adão. Os profetas antigos falaram desse mistério, mas suas mentes não alcançaram em profundidade o seu significado. 1 Pedro 1. 10 – 12; 2 Pedro 1. 20 - 21; Somente com a vinda ao mundo de Jesus Cristo, o Filho de Deus, a Luz do mundo é que a revelação foi entendida e acolhida por aqueles que Nele crêem. Os apóstolos, movidos pelo Espírito Santo, reafirmaram nos evangelhos e nas cartas às igrejas o que haviam recebido do Senhor Jesus a respeito dessa revelação. João 1. 1 – 5; 10. 30; 14. 1 – 3, 7 – 11; 16. 28; 17. 1 - 26
Do que as Escrituras revelam sobre as ações divinas na história é possível fazer o caminho inverso que nos remete ao que foi decidido por Deus na eternidade como já foi mencionado. Pela decisão unânime do conselho divino estabeleceu-se que uma das pessoas divinas assumiria na terra em Sua divindade a plena humanidade. Isso era necessário para que a dívida da humanidade junto à justiça divina contraída pelo primeiro devedor, Adão, fosse paga pelo novo homem gerado por Deus através do Espírito Santo em uma mulher - Maria.
Na primeira confrontação da história da humanidade, ao se dirigir ao Diabo, autor da natureza pecaminosa e do pecado, incorporado na serpente, assim disse o Senhor: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. Gênesis 3. 15. (NVI). Esse evangelho, boa notícia para a humanidade, foi anunciado pelo próprio Deus, no Jardim do Éden, antes da revelação na história do mistério da piedade. O Deus de amor ainda na eternidade tomou todas as providências da salvação a fim de que o Diabo não levasse à perdição eterna toda a humanidade. Somente o Deus onipresente, onisciente e onipotente poderia realizar essa obra perfeita jamais imaginada pelo inimigo. 
Na história da salvação tanto o  amor quanto a justiça e a misericórdia divina componentes de Sua Graça precisariam ser plenamente contemplados. Deus age na integridade do Seu caráter. Essa ação divina, eterna e histórica, inalcançável pela mente humana, se tornaria realidade na história até que Deus tivesse Consigo no tempo e na eternidade aqueles que Ele sabe que responderiam afirmativamente ao Seu convite de amor. 
Nesse ponto fazemos uma pausa para citar a declaração divina registrada pelo profeta Isaías: “Desde o início faço conhecido o fim; desde tempos remotos o que virá. Digo: meu propósito permanecerá em pé; e farei tudo o que me agrada”. Isaías 46. 10.
O que foi decidido na eternidade pelo conselho divino se cumpriu. Nenhum dos descendentes de Adão gerados naturalmente estava habilitado para realizar esse pagamento que deveria ser feito em morte substitutiva. Essa impossibilidade ocorreu porque todos pecaram. Nenhum pecador poderia assumir substitutivamente por seu semelhante esse pagamento. Era necessário que o descendente da mulher e não do homem fosse levantado na história para que a dívida do homem com a Justiça divina fosse paga. Romanos 3. 23; 6. 23.
Deus veio em socorro do homem e tudo providenciou em Sua Graça salvadora. No tempo determinado Deus se manifestou em corpo humano na pessoa do Seu Filho, sem pecado, para que sobre Si levasse os pecados daqueles que Nele crêem como Senhor e Salvador. Isaías 53. Hebreus 10. 5 – 10.     
O princípio estabelecido por Deus para que a dívida fosse paga de forma única e definitiva era a morte substitutiva de um inocente que fosse tão humano quanto os humanos, mas sem pecado para que pudesse levar sobre Si os pecados dos pecadores que acolhem a graça de Deus pela fé e fazendo deles inculpáveis aos olhos de Deus. Esse ato divino/humano realizado por Jesus Cristo tornou sem efeito para os salvos a morte espiritual (separação eterna de Deus) e a morte física (separação temporária entre alma e corpo) pela ressurreição que antecederá o arrebatamento da igreja.  A Lei divina já estabelecia: “sem derramamento de sangue não há remissão de pecado”.  Hebreus 9. 22.
O primeiro sacrifício substitutivo a favor do homem, no período da paciência de Deus, foi realizado pelo próprio Deus no Jardim do Éden com a morte de animais. Foi essa a primeira providência divina para anunciar antecipadamente ao homem o que estava na mente divina e que se concretizaria no sacrifício único, definitivo e plenamente aceitável do Messias.   
Ao sacrificar animais para dar dignidade ao homem e à mulher diante de Deus, o Criador não somente confeccionou, mas pessoalmente vestiu o casal com a nova e adequada vestimenta. Deu-lhes dignidade diante de Si.  Mais um princípio foi estabelecido: só nos tornamos adequados diante de Deus quando Ele nos faz adequados para Si. Nossas obras nada representam ao nos apresentarmos à Deus. O que Ele faz por nós e em nós é o que O agrada.
A imagem do Criador vestindo Suas criaturas é a maravilhosa, inexplicável e insondável manifestação da grandeza da Graça salvadora de Deus. O Ofendido se dobra diante dos ofensores para torná-los adequados a Si. Deus, o ofendido, se mostrou humilde diante da criatura, ofensora. O Messias ratificou a humildade divina horas antes de assumir por nós a cruz. João 13. 1 – 20. Ele usa o Seu Poder para restaurar à dignidade pecadores indignos. A Graça divina não desconsiderou o pecado, mas se antecipou à necessária disciplina. Já estava em vigor a lei da semeadura e colheita e ela seria considerada para que o amor e a  justiça divina fossem igualmente contemplados. Deus perdoa o pecador, mas não o livra das consequências do seu pecado. A responsabilidade da colheita é de quem semeou.
A partir da iniciativa divina em socorrer Suas criaturas, ao homem foi revelado que deveria manter esse ritual de purificação até que viesse o descendente da mulher. Este faria um único e perfeito sacrifício, purificando não somente os pecados, mas fazendo morrer a natureza pecaminosa no homem que o leva a pecar. Somente com a retirada da velha natureza pecaminosa é que Deus concede ao perdoado a nova natureza não mais voltada à prática deliberada do pecado, mas à obediência à vontade de Deus. Romanos 6; 2 Coríntios 5. 14 – 17.
 Ao ser manifestado em corpo, em Belém da Judéia, o Filho de Deus foi saudado pelos anjos que O acompanharam discretamente em todo o período ministerial, horas antes de Sua morte no Jardim do Getsêmani, na ressurreição e no retorno glorioso à Casa do Pai, agora revestido de Sua humanidade. À direita de Deus, o Pai, está o Deus-Filho. Seu relacionamento com Deus após o retorno ao céu é tanto espiritual quanto filial. É nessa condição que exerce o ministério da intercessão pelos salvos até que termine a história e inicie a vida eterna da igreja com o Senhor Jesus. Ele foi feito pelo Pai através do ministério do Espírito Santo, o centro de convergência e difusão da glória, da graça, da soberania, da justiça e da misericórdia divina. Nele e em torno Dele gravitam todas as criaturas e acontecimentos do mundo visível e invisível, no céu e na terra, no tempo e na eternidade. Tudo o que Deus fez, faz e fará tem Jesus Cristo como centro e é a Ele que os salvos têm como referência de caráter, herança, esperança e vida eterna com Deus. Todas as perfeições divinas se manifestam através Dele de onde tudo provém, por meio do qual elas se concretizam e voltam para Ele em glória, adoração, louvor e serviço tanto dos anjos quanto da humanidade. É diante Dele que todo o joelho se dobrará no céu e na terra. Para glorificá-Lo, o Pai Lhe concedeu a função judiciária no final da história porque é Deus e homem. João 5. 22 – 23; Efésios 1. 3 – 14; Filipenses 2. 5 – 11. 
Dentro desse contexto a identidade da igreja está inseparavelmente vinculada ao seu fundador Jesus Cristo. Não se pode falar em Jesus Cristo sem a igreja  e na  igreja sem Jesus Cristo. Ele, a cabeça, ela, o corpo. Ela está espiritualmente assentada com Ele  nas regiões celestes e Ele está espiritualmente nela e  age  por seu intermédio no mundo pelo Espírito Santo que lhe concedeu. Isso faz para que a comunhão entre os santos seja cultivada no presente até que seja eterna após o arrebatamento. João 14. 1 – 3, 23; Efésios 2. 6; 3. 10.
A igreja é, portanto, comunidade habitada pelo Deus vivo; é coluna e fundamento da verdade. Sua unidade em Cristo a torna inabalável. É por meio dela que Deus trata dos Seus interesses na terra e revela Sua Palavra às nações.  Aqueles que Nele crêem e O acolhem como Senhor e Salvador são incluídos na família de Deus e são Seus filhos.
Uma vez cumprido plenamente o Seu ministério terreno, o Senhor Jesus foi elevado ao céu em corpo glorioso e sem pecado e recebido pelos anjos de Deus até que se apresentou ao Pai onde está assentado à Sua direita em majestade. Aguarda o momento quando no cumprimento da vontade do conselho divino retornará nas nuvens para arrebatar Sua igreja a fim de que ela esteja Consigo para sempre.  João 14. 1 – 3; 1 João 3. 1 – 3.
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Vivamos a revelação do mistério.  
DETALHES
- O amor divino é insondável.  
APLICAÇÃO
- Amar com o amor de Cristo.
PENSAMENTO
Deus revela suas intenções nas ações.    
VERSÍCULO PARA DECORAR
“Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória”.
ORAÇÃO
Obrigado Senhor pelo Teu amor. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

1 TIMÓTEO - Estudo 8: O CARÁTER DOS DIÁCONOS - cap. 3. 8 – 13.

Neste texto encontramos:
- Qualificações de quem almeja o ministério diaconal: v.  8 – 10, 12 – 13.
- Qualificações do diácono:
a) dignos; b) coerentes na palavra; c) abstêmios de bebidas alcoólicas; d) não gananciosos; e) sadios na fé e com consciência limpa; f) provados e experientes; g) marido de uma só mulher; h) líderes aprovados no governo da família; .
- Qualificações da diaconisa:
a) dignas; b) não caluniadoras; c) sóbrias; d) confiáveis.
- Os diáconos que buscam a excelência no serviço que prestam a Deus na igreja, alcançam reconhecimento e são considerados autoridade pelos irmãos na exposição da fé em Cristo. v. 13. 
VISÃO GERAL
 O crescimento da igreja em Jerusalém gerou novos desafios e com eles a necessidade de criar um novo sistema organizacional. Orientados pelo Espírito Santo os apóstolos reuniram a igreja, expuseram os seus propósitos diante da nova situação e apresentaram uma proposta que foi aceita por todos. A partir de então a igreja permaneceu sob a liderança dos apóstolos, agora auxiliados por um grupo de sete irmãos, os diáconos. Três pré-requisitos orientaram a escolha dos diáconos: bom testemunho, cheios do Espírito Santo e sábios. A nova divisão de trabalho na área administrativa se mostrou  eficaz e foi adotada como modelo pelas novas igrejas Atos 6. O apóstolo Paulo manteve a mesma estrutura administrativa nas igrejas que iniciou em razão de suas viagens missionárias. Os pastores foram designados para liderar a igreja e os diáconos estabelecidos como seus auxiliares diretos no serviço aos santos. 
Paulo estruturou administrativamente o seu ministério em três bases: a) anúncio do Evangelho; b) ensino dos princípios doutrinários e como viver neles; c) preparação de obreiros para servirem na igreja como líderes e auxiliares. Essa visão tridimensional de ministério é desafio para os atuais pastores. São marcas ministeriais inapagáveis.
Com o surgimento de novas exigências próprias do crescimento da igreja local, novos ministérios surgiram para o atendimento das necessidades dos fiéis e dos infiéis, mas a base administrativa permaneceu intocável: pastores na liderança auxiliados pelos diáconos.
A simplicidade na administração dá leveza e libera o movimento da igreja no cumprimento de sua missão. 
Administrar é se envolver com pessoas e envolvê-las no projeto comum da família de Deus: adorar, servir e louvar a Deus realizando o que Ele determina. As demais coisas virão como acréscimo.
Na orientação ao jovem discípulo-pastor Timóteo, o apóstolo Paulo, depois de apresentar o caráter que identifica o pastor, líder na igreja, relaciona as qualificações a serem vistas nos diáconos, seus auxiliares.  
Inspirado no exemplo do Senhor Jesus, o apóstolo Paulo abriu espaço na área administrativa da igreja às mulheres considerando sua vocação natural como auxiliadoras eficazes no lar junto a seus maridos. Sendo assim, homens e mulheres, por sua conduta cristã, foram separados para servirem como diáconos e diaconisas ou auxiliares diretos do pastor na administração da igreja e no serviço aos santos e à comunidade onde atua a igreja.  Essa forma de governo não veio estabelecer a hierarquia na igreja, mas foi decisão inteligente de trabalho compartilhado entre os servos de Deus com responsabilidades distintas.
No corpo de Cristo nenhum membro está acima do outro ou se destaca por sua maior ou menor visibilidade. Ao contrário, em sua interdependência um não é sem o outro. Não somos alguém sem ninguém.
A divisão não evangélica entre clérigos e leigos, surgida posteriormente na igreja, não encontra apoio na forma original de governo vista no ministério do Senhor Jesus, onde o Bom Pastor se cercou de auxiliares, homens e mulheres, na realização do ministério entregue pelo Pai.
No relacionamento saudável que há no corpo de Cristo, a igreja, cada membro se alegra e faz o melhor no que o Senhor lhe concedeu e o capacitou conforme sua vocação.
É o Espírito Santo quem determina o lugar e a função que os membros ocupam ou exercem no corpo de Cristo e não pessoas. No Reino de Deus a responsabilidade do governo é Dele: qualifica ou desqualifica Seus servos.  Isso fará até que reentregue a igreja ao Filho e este a apresente ao Pai no tempo que já está determinado.   
Assim como na família dos homens também na família de Deus cada membro realiza a sua função tendo em vista o bem estar do corpo.  O que conta é a orientação recebida da cabeça do corpo, isto é, o Senhor Jesus Cristo.
A simplicidade orgânica na administração da igreja permite que cada membro se sinta feliz onde está. O amor de Deus que gera o pertencimento e a interdependência promovem a unidade  no corpo de Cristo. 
FOCALIZANDO A VISÃO
Em sua exposição o apóstolo Paulo assemelha as qualificações do pastor às dos diáconos. O que os distingue diante de Deus e da igreja é o grau de responsabilidade e honra. Diáconos e diaconisas são na igreja  os auxiliares mais diretos do pastor. Ambos atuam na administração da igreja e no serviço aos santos. Trazem as experiências bem sucedidas no lar para servirem na igreja. Essa foi a mesma visão do Senhor Jesus que se acercou de homens e mulheres piedosos que se dispuseram a ajudá-Lo em áreas adequadas a cada um deles.  
 Qualificações do diácono.
a) dignidade: ao tratar com dignidade e respeito as pessoas a quem serve os diáconos receberão delas a honra que lhes dedicam. Caso isso não ocorra os diáconos permanecerão como instrumentos da Graça de Deus que os alcançou. Seu exemplo silencioso de dignidade será influência contínua para que os ingratos se deixem transformar. Contudo, o Senhor os honrará pela obediência a Sua Palavra.  O que lhes importa é o cumprimento do ensino de Jesus: “Façam aos  outros o que querem que eles façam a vocês, pois isso é o que querem dizer a Lei e os ensinamentos dos Profetas”. Mateus 7. 12. (NTLH). É no serviço que prestam a Deus em Sua igreja que serão reconhecidos como capazes no exercício da fé e dignos de imitação.  b) coerência na palavra: a manutenção da palavra empenhada nos compromissos assumidos e no posicionamento que defendem, tendo as Escrituras como fundamento, dão-lhe autoridade espiritual e moral. Somente com homens de palavra é possível manter uma relação de confiança. Os vacilantes, escorregadios e indefinidos estão desqualificados para o exercício do ministério diaconal. 
c) abstêmios em relação às bebidas alcoólicas: quem serve ao Senhor como diácono em família, na igreja e na comunidade precisa estar no pleno uso de sua consciência. Presta um desserviço ao Evangelho quem desonra o Nome de Deus pela falta de lucidez e responsabilidade. Um homem que não responde pelos seus atos devido a ingestão de bebida alcoólica não está habilitado para auxiliar o pastor na administração da igreja. Quem se deixará aconselhar por alguém que não é exemplar em sua conduta? Convém que o servo tenha clareza e precisão na compreensão e expressão do raciocínio. Um diácono que ingere bebidas alcoólicas ou que secreta ou publicamente alimenta vícios compromete o seu serviço ao Senhor e é forte candidato à promoção de escândalos. Oferece oportunidades à ação satânica em sua vida principalmente nas crises onde o pouco se torna muito. Todo tipo de vício e de qualquer natureza coloca em risco o relacionamento correto do servo com seu Senhor e Sua igreja. 
d) não gananciosos: o servo do Senhor coloca Deus como prioridade em sua vida e não coisas.  Segue a orientação dada por Jesus principalmente em se tratando de dinheiro. Foge das oportunidades de ascensão econômica ou social de caráter duvidoso. Mateus 6. 24, 33. Mantém o autodomínio na administração dos bens pessoais a fim de que não venha sonegar o que de sua parte deve ser entregue na promoção do Reino de Deus através dos ministérios da igreja. É cuidadoso na administração do que não lhe pertence, mas lhe foi confiado para administrar. Entende que a fidelidade é uma forma eficaz de testemunho da fé evangélica. Adota como lembrete o sábio provérbio: “Ö dinheiro é um bom servo, mas um mau senhor”.
As Escrituras alertam os servos de Deus para que não sejam insaciáveis na vida material. Apresentam alguns personagens que perderam suas vidas porque cederam à ganância: Absalão, Judas Iscariotes, Ananias e Safira além de outros. 2 Samuel 15. 2 – 6; 18. 9 - 17; Mateus 27. 3 – 10; João 12 – 13; Atos 5. 1 – 11. Daí o alerta do apóstolo Paulo. 1 Timóteo 6. 10.
e) sadios na fé e na conservação de uma consciência limpa: o diácono que tem prazer na leitura, estudo, meditação nas Escrituras e se dispõe a viver os seus ensinos está capacitado para expor o que aprendeu. Caso contrário será um religioso hipócrita tal qual foram os líderes religiosos judeus que incomodados com a verdade anunciada por Jesus se fizeram Seus inimigos. Nada na vida íntima do diácono deve torná-lo repreensível. A consciência pura dará coerência à sua vida pessoal e social e será arma de defesa contra as ciladas do Diabo. O diácono cuida da essência cristã e esta será sua aparência. Caso contrário estará permanentemente sujeito a ser um instrumento nas mãos do Diabo. Mateus 12. 34. 
f) provados e experientes: é grande a responsabilidade da igreja na designação de diáconos que nela servirão a Deus no serviço aos irmãos. É necessária uma investigação prévia da vida em família, no trabalho, na vida social, fidelidade aos princípios da Palavra e compromisso no exercício de ministérios na igreja. Se for provado que sua conduta corresponde ao que as Escrituras definem como homem de Deus, então estará habilitado para exercer o diaconato na igreja, caso se disponha ao exercício desse ministério. Diáconos são servos dos servos. Seu ministério não os coloca acima dos demais membros da igreja. Nessa condição se afastarão de qualquer procedimento que envolva manipulação, domínio e controle. O diaconato não oferece status e muito menos é passarela para o desfile de vaidades.  A cada dia o diácono se coloca diante de Deus para ser examinado por Ele através de Sua Palavra  2 Coríntios 13. 5.
Finalmente é bom que se diga que os diáconos estão sujeitos à mesma disciplina eclesiástica dos demais membros da igreja
g) fidelidade conjugal: convém que o diácono seja casado. É sua responsabilidade investir no relacionamento conjugal e na família. Esse investimento se dá pelo conhecimento e vivência dos princípios das Escrituras no lar; capacitação contínua através de cursos, livros e atividades que visem ao fortalecimento da vida conjugal e unidade na família; cultivo de ambiente sadio no lar e fora dele através de atividades coletivas e criativas; interação inteligente com outros casais e famílias; participação nos cultos e nas atividades da igreja; outros eventos que promovam a unidade conjugal e da família. A coerência com que o diácono vive a vida cristã na família o fará pessoa digna a partir do lar, o protegerá da infidelidade conjugal e não permitirá que seja motivo de escândalo. O propósito coletivo da família em ser fiel a Deus e Sua Palavra a protegerá do sistema do mundo sem Deus e das ciladas do Diabo. Com esses cuidados o diácono não permitirá que entre em seu lar o que venha contaminá-los. Salmos 101. 2 – 3.
h) aprovados no governo da família: o diácono adota como modelo de governo na família o que Deus estabelece em Sua Palavra. Usará a autoridade em amor para que atraia a si a submissão em amor dos membros da família. Desta maneira sua família será naturalmente  referência para as demais famílias da igreja.
Qualificações da diaconisa:
a) dignidade: a dignidade da diaconisa, a exemplo do diácono, tem como ponto de partida o firme propósito de ser fiel a Deus e à missão que lhe foi entregue para servir na igreja de Jesus Cristo. Somente quem honra a Deus, isto é, é reverente com Ele e Sua Palavra, honra a si mesmo, àqueles que o cercam e a quem serve. 
b) não maledicentes: é responsabilidade da diaconisa  zelar pelo uso inteligente das palavras. Para isso manterá vigilância contínua em sua comunicação verbal a fim de que seja pessoa confiável. Uma pessoa maledicente ou ‘que não retém para si o que vê e ouve está desqualificada para o ministério diaconal. Ao contrário, seu empenho será visto na busca de alternativas para resolver um problema e não para revolver o problema sendo parte dele.  A sensatez no uso das palavras impedirá que seu esposo e família e outros sejam contaminados pelo mau falar.     
c) sóbrias, discretas, recatadas: as diaconisas tomam para si como exemplo a atitude de mulheres cristãs que cultivaram a sobriedade, a discrição e o recato no relacionamento com pessoas e situações, muitas vezes, não favoráveis ou não entendidas imediatamente por elas. Citamos quatro exemplos: Ana, a mãe de Samuel; Isabel, a esposa de Zacarias; Maria, a irmã de Lázaro e Maria, a mãe de Jesus. Destas, a mãe do Filho de Deus é exemplo maior e a ser tomado como modelo de mulher segundo o coração de Deus. Uma mulher sóbria organiza com inteligência seus pensamentos e emoções  para que possa manifestar com sabedoria suas atitudes e palavras.  A mulher sóbria é sensível e não insensata. 1 Samuel 1. 1 – 28; 2. 1 – 11; Lucas 1. 1 – 80; 10. 38 – 42; João 12. 1 – 8.
d) confiáveis: ser confiável é uma virtude reservada às diaconisas que cultivam a sobriedade, a discrição e o recato. A mulher confiável mantém sob domínio sua mente, emoções e vontade. Essa atitude a preserva da precipitação no falar. É pessoa que se educa para ouvir e calar e dessa forma se habilita para o aconselhamento à luz da Palavra de Deus.
Na medida em que nos exercitamos no cultivo das virtudes cristãs diante do inevitável ou inesperado adquirimos maturidade no tratamento de vários tipos de situações que nos surpreendem a cada momento.
Deus oferece o Seu caráter para que o imitemos. Ele é Pai  amoroso, alegre, pacífico, amável, bondoso, fiel, manso e pleno de domínio próprio. Gálatas 5. 22 -  23. (NVI). Não há lei que nos impeça de exercitar essas virtudes cristãs. Agora, quem deseja dar abrigo em sua vida à imoralidade sexual, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções, inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas seja praticando ou silenciando diante daqueles que as fazem e ainda insistem em estar com o povo de Deus, não herdarão o Reino de Deus, isto é, estarão na eternidade com o Diabo e seus demônios. Essa é a Palavra de Deus que será considerada para julgamento no dia da inevitável prestação de contas. Gálatas 5. 19 – 21. A Graça de Deus não libera nenhum dos Seus filhos para viverem na prática do pecado. Assim afirma o apóstolo João: “Aquele que pratica o pecado é do Diabo; porque o Diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo”. 1 João 3. 8. (NVI).
A simplicidade, a profundidade e a clareza da Palavra de Deus é suficiente para aqueles que a obedecem e é a pedra intransponível do caminho para os desobedientes.    
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- A Palavra de Deus tem o que precisamos para o exercício do ministério diaconal.

DETALHES
- De nada serve uma vida indisposta ao serviço. 
APLICAÇÃO
- Transferir para a vida as orientações da Palavra de Deus.
- Em nossos dias alguns lideres religiosos movidos pelo egoísmo, soberba e vaidade deixaram a simplicidade da organização administrativa da igreja  e adotaram a organização empresarial onde a hierarquia premia os servidores produtivos e pune os menos capazes ou improdutivos ou aqueles  que estão  em desacordo com a visão absolutista do líder ou de sua dinastia familiar. Com isso reeditam o culto à personalidade visto na igreja  em Corinto e combatido pelo apóstolo Paulo visto estar em oposição ao governo intransferível de Jesus Cristo, o Senhor e Salvador da igreja .
PENSAMENTO
Nada é mais abençoador que uma vida a serviço dos interesses do Reino de Deus. 
VERSÍCULO PARA DECORAR
“Os que servirem bem alcançarão uma excelente posição e grande determinação na fé em Cristo Jesus”. v.  13. (NVI).  
ORAÇÃO
Obrigado Senhor pelo privilégio de servir no Teu Reino.