sábado, 8 de maio de 2010

LUCAS - Estudo 21: LIÇÕES PRÁTICAS NO EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO. cap. 10. 1 – 24.

Neste texto encontramos:
- Grupo dos setenta prepara chegada de Jesus. v. 1.
- Grandeza da seara e a escassez de trabalhadores: realidade antiga e nova. v. 2.
- Só Deus desperta pessoas para o trabalho em Sua lavoura. 2b.
- Servos do Senhor são como cordeiros no meio de lobos. v. 3.
- Desapego a bens e ao conforto, vigilância e discrição são atitudes do caráter do servo de Deus. v. 4.
- Orientações para uma hospedagem bem sucedida. 5 – 7.
- O servo do Senhor anuncia sua chegada ao local de estadia com uma mensagem de paz. v. 5.
- Só quem está em paz acolhe a mensagem da paz. v. 6.
- O servo do Senhor permanece na casa-sede de sua hospedagem. Torna-se membro temporário da família. v. 7a.
- O salário ou a recompensa do obreiro corresponde ao seu trabalho. v. 7b.
- O servo do Senhor não é um “provador de temperos” de casa em casa. v. 7c.
- O servo do Senhor assume a cultura local naquilo que não contraria o Evangelho. Revela contentamento. Nada exige em razão de sua função. Está em serviço e não em férias. v. 8.
- O anúncio da mensagem do Reino de Deus alcança a pessoa em sua totalidade: alma e corpo. v. 9.
- Os ouvintes do Evangelho são responsáveis pelo que ouvem. v. 10 – 12; Mateus 8. 34.
- No dia do juízo não haverá misericórdia para quem rejeitou o Evangelho. Se Deus não poupou Seu Filho porque nos amou, não poupará aqueles que rejeitaram o Seu grande Amor. v. 13 – 15; Romanos 8. 32.
- Acolher ou rejeitar os mensageiros do Evangelho é acolher ou rejeitar quem o mandou anunciar. v. 16.
- A alegria é a recompensa de quem cumpre a missão. v. 17.
- A pregação do Evangelho abala os poderes das trevas. v. 18.
- Não há retaliação satânica que atinja quem Jesus envia. v. 19.
- A maior alegria do salvo é ter o seu nome escrito nos céus. v. 20.
- Jesus se alegra com a obediência dos Seus servos e pelo fato de Deus ter reservado aos humildes o conhecimento e os privilégios dos mistérios do Reino de Deus. v. 21.
- Deus-Pai entregou ao Deus-Filho, pela ação do Espírito Santo, tudo o que era necessário ao Seu ministério. Entre eles há pleno relacionamento. Unidos a Jesus Cristo somos incluídos nesse relacionamento. v. 22; João 17.
- Os discípulos ouviram e viram o Messias. Este era o desejo dos profetas e reis do passado. Pelo cumprimento das profecias, hoje sabemos de coisas ainda ocultas aos primeiros cristãos. v. 23 – 24; João 20. 29; 1 Pedro 1. 10 – 12.

VISÃO GERAL
Antes de visitar algumas cidades e pequenos povoados, Jesus reuniu um grupo de setenta discípulos. Após instruí-los, os enviou em duplas para anunciarem o Evangelho do Reino de Deus. Esse fato ocorreu quando Jesus se dirigia a Jerusalém, cidade na qual participaria da terceira e última páscoa antes de tornar-se o centro de uma série de eventos: combate ao comércio da fé na entrada do templo; traição de Judas Iscariotes; tortura moral e física diante das autoridades religiosas e romanas; a negação de Pedro; crucificação, morte e ressurreição. Era o cumprimento das Escrituras. Lucas 9. 51.
Na capacitação dos discípulos Jesus usou a metodologia do treinamento em serviço: uniu simultaneamente o conhecimento à ação e a teoria à prática que se ativam e se enriquecem mutuamente.
A igreja de Cristo, no decorrer da história, ao se afastar dessa metodologia alterou para pior a capacitação de obreiros. Ao separar a teoria da prática ou ao adotar como passo inicial o conhecimento para depois praticá-lo, a igreja gerou dois tipos de crentes: os teóricos e os ativistas. O primeiro ama e vive em função do conhecimento e pouco ou nada realiza nos ministérios da igreja. Torna-se arrogante e vaidoso. Isola-se dos menos eruditos e se junta ao grupo fechado dos seus iguais. O segundo ama o ativismo e busca ser criativo em suas realizações, mas acaba na rotina e improvisação. Deseja estar sempre em movimento, mas nem sempre sabe para onde vai. Ama os eventos, vive em função deles e os torna medida de sua espiritualidade. O fato de se afastar do conhecimento o leva a reproduzir o senso comum, a seguir o modismo. Em suas pregações, ensino, canções e estratégias revelam a verdade na qual acreditam e muitas delas estão associadas a heresias (ensino falso) e por isso antibíblicos.
Mais ainda: o primeiro grupo de crentes está voltado à qualidade e o segundo à quantidade. Essa dicotomia (divisão) os afasta e só será resolvida quando a igreja retornar à unidade existente na metodologia usada por Jesus.
Os pensadores gregos antigos reconheceram na humanidade dois tipos de homens: “homo sapiens”, voltado ao pensar e “homem faber”, voltado ao fazer. Com isso a humanidade se dividiu entre os que usam a cabeça e outros, as mãos e os pés; um domina ou oprime e o outro é dominado ou oprimido. No campo da religião, um é clérigo e o outro é leigo. Não há troca entre ambos.
Em nosso tempo de pós-modernidade um novo tipo de homem surgiu: “homo omissus”: não deseja saber e não está interessado em fazer. Os passivos deste grupo entregam o seu pensar e fazer a outros e com isso atraem sobre si a tirania e a manipulação e os ativos se posicionam criticamente contra os que pensam e fazem e essa conduta favorece o surgimento da anarquia. A esse respeito Jesus declarou: “Quem não é comigo, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha”. Lucas 11. 23. (ARC).
A metodologia de Jesus, o treinamento em serviço, além de evitar essa divisão, veio reconciliar o homem consigo mesmo, tornando-o um ser que pensa e faz e ao fazer enriquece o que pensa.

FOCALIZANDO A VISÃO
O texto que estudamos hoje é uma versão ampliada da narração feita no capítulo 9. 1 – 6. Em ambos, Jesus orienta Seus discípulos na missão que lhes foi entregue.
O presente episódio faz parte do quadro final do ministério de Jesus quando caminhava para Jerusalém na fase preparatória do retorno à Casa do Pai.
Jesus era um líder com visão proativa. Conhecedor da natureza humana e possuidor de uma experiência jamais alcançada por outro homem antecipou aos discípulos o que ocorreria à frente. Com isso os poupou de qualquer desânimo ou dúvida diante do desconhecido. Quem sabe antes não se abala diante do que lhe foi antecipado. João 14. 29.
Outro aspecto que precisa ser lembrado é que Jesus era o Mestre dos mestres. O povo mais simples sabia disso, mas os líderes religiosos judaicos, devido a sua arrogância, resistiram em admitir essa verdade. Até o diabo em seu conhecimento estava convicto da sabedoria e da divindade de Jesus e por isso insistia em proclamar essa verdade todas as vezes que era expulso de alguém. Só no final do ministério de Jesus a liderança religiosa judaica, depois de O haver provocado continuamente com perguntas inteligentes e outras insensatas, respondidas com a sabedoria que estava além do entendimento deles, silenciaram diante Daquele que tudo vê, sabe e pode. Abalados com tantas perdas nos diálogos hostis que mantiveram com Jesus, os religiosos ordenaram aos servidores no templo que O prendessem. Enquanto aguardavam o momento da prisão, estes homens ouviram o que Jesus pregava, ensinava e viram as obras que fazia. Após esse período, desarticulados em sua hostilidade e alimentados espiritualmente com as palavras de Jesus, os servidores retornaram aos seus chefes e declararam o que jamais imaginariam ouvir “Nunca homem algum faltou assim como este homem”. João 7. 46. (ARC).
Jesus tinha consciência de que era Mestre e Senhor, mas desejava que os judeus O reconhecessem não somente como Mestre, mas também como Senhor. João 13. 13 – 14. O próprio diabo ao reconhecer a divindade de Jesus denunciou a incredulidade dos judeus que por ignorarem essa verdade, usaram-na como motivo para O levaram à morte. Marcos 5. 6 – 7; João 19. 7.
A metodologia adotada por Jesus revelou alguns princípios fundamentais à saúde espiritual da igreja: a) a definição e o detalhamento da missão concentram o esforço de todos na realização da obra comum. Se você sabe o que deve ser feito, pode fazer melhor; b) a divisão do grupo em duplas (o menor grupo possível) permitiu maior abrangência na realização da obra, respeito à diferença individual e enriquecimento mútuo. É melhor trabalhar com quem temos afinidade; c) a interdependência de cada elemento da dupla e das duplas em relação ao todo garantiu a unidade da missão comum. A articulação é melhor que a fragmentação; d) a relação de confiança no cumprimento da missão além de expressar amor gera segurança e entusiasmo no grupo. Unidos somos mais fortes; e) a visão antecipada (proativa) diminuiu as surpresas e o desânimo diante do desconhecido. O alerta coloca a vigilância em alta e propõe alternativas nos impasses; f) a avaliação coletiva oportuniza a partilha das experiências e motiva novos projetos missionários. O diálogo é melhor que o monólogo: g) no Reino de Deus um projeto só pode ser considerado bem sucedido quando está sob a liderança do Espírito Santo. O melhor vem de Deus: h) o conhecimento dá qualidade à prática e esta realimenta o conhecimento e o torna frutífero (quantidade). Jesus trabalhou a unidade entre ambos.
A metodologia de Jesus expressou o propósito do Criador quando fez o homem para ser indivisível no pensamento e na ação. Ambos o responsabilizam.
Ao enviar Seus discípulos o Senhor Jesus fez a primeira declaração que permanece tão atual quanto naquele dia: “A seara é grande e os ceifeiros são poucos”. A solução proposta por Jesus diante dessa desigualdade ainda continua válida: “Rogai ao Senhor da seara que envie mais obreiros para a Sua seara”. Quem roga precisa estar disposto a obedecer caso seja chamado pelo Senhor.
Os verdadeiros obreiros da seara são os chamados e não os “oferecidos”. Os fracassos ministeriais ocorrem quando os “oferecidos” desejam trabalhar na seara do Senhor à parte das Escrituras e da ação do Espírito Santo. Com esse procedimento buscam substituir a ação eficaz do Espírito pela ação ineficaz dos talentos pessoais, estratégias humanas motivacionais e técnicas de propaganda. Tiram o foco de Jesus e o colocam nos homens. Usam a Bíblia apenas como pretexto para dar uma feição evangélica e autoridade ao que anunciam. Lucas 4. 9 – 12. Temem serem descobertos, denunciados e afastados.
Somente o conhecimento das Escrituras, lidas e estudadas sob a direção do Espírito Santo nos dão discernimento e inteligência espiritual para identificar os dois tipos de servos citados e separar o verdadeiro do falso. Os falsos não alimentam a igreja de Deus, mas se alimentam dela devido a sua cobiça pessoal. Há um importante alerta registrado no livro de Judas, irmão do Senhor e em 2 Pedro no capítulo 2.
A obra do Senhor carece de homens íntegros e com profundidade espiritual no relacionamento com Deus e as pessoas. Homens que não permitam que a religiosidade e a rotina os façam infrutíferos em seu ministério. Em seus escritos os apóstolos expressaram essa marca do caráter de Jesus absorvida e vivenciada por eles e provada até diante do martírio. Hebreus 12. 1 – 2.
Em suas orientações o Senhor Jesus apresenta o caráter do ministério e dos ministros.
Jesus os encoraja a manterem a humildade dos cordeiros e a vigilância permanente contra o ataque combinado dos lobos. Essa era a realidade que Ele vivia em Seu ministério. A liderança religiosa judaica era ciumenta, invejosa e perversa. Estava sempre conspirando a fim de inviabilizar o projeto da Graça de Deus para a humanidade no ministério de Jesus. Lucas 9. 58; 10. 4.
“Paz seja nesta casa” era a primeira saudação do evangelista ao entrar no local de hospedagem. A reação dos presentes já sinalizava a conveniência da permanência ou da partida.
Enquanto estivessem anunciando a Palavra na região, os discípulos foram orientados a permanecerem na mesma casa. Ali seria o seu lar provisório até que partissem. Sua presença seria abençoadora na família. A alimentação da família seria o seu alimento. A hospitalidade da família seria uma forma do discípulo aprender também a ser hospitaleiro. O discípulo não deveria prolongar a sua estadia acomodando-se à hospitalidade. Não estava em férias, mas a serviço do Rei, anunciando a Palavra e curando os enfermos.
O anúncio do Evangelho do Reino de Deus responsabilizava seus ouvintes. Se a mensagem fosse rejeitada, os discípulos deveriam deixar a cidade e proclamar sobre eles as conseqüências da rejeição. Quem não ouve os servos de Deus não será ouvido pelo Deus dos servos. Esse alerta remetia à experiência de Jesus com alguns moradores das cidades que haviam se recusado a ouvi-Lo. Jesus transfere a Si e à Deus a rejeição sofrida por Seus ministros. Lucas 8. 37; 9. 51 – 56.
Depois de ouvir essas recomendações, os discípulos partiram em missão. Após ouvir é necessário partir. Lucas 6. 46 - 49; Tiago 1. 22a.
Assim que retornaram da viagem missionária traziam no rosto a alegria da obediência, do conhecimento adquirido, da prática bem sucedida e a honra da confiança recebida de Jesus para representá-Lo. Ao darem o seu relatório, Jesus declarou-lhes que havia acompanhado a guerra espiritual na qual eles, consciente e voluntariamente, estavam engajados. Quem trabalha pelos interesses de Deus é odiado pelo inimigo.
Jesus chamou a atenção dos discípulos para uma alegria maior, ou seja, a de terem seus nomes registrados nos céus. Enquanto dizia isso o próprio Senhor Jesus se alegrou ao glorificar o Pai porque em amor havia reservado o Seu Reino aos humildes. Ele se alegrava com essa decisão de Deus. Nessa alegria mútua Jesus revelou aos discípulos que em relação a Deus nada Lhe era oculto e Ele revelava a quem desejasse. A seguir, se voltou aos discípulos e os parabenizou pelo privilégio recebido de servirem a Deus e de ouvirem e verem o que os profetas da Antiga Aliança tanto almejaram: estar pessoalmente com o Messias, anunciado por eles.
Em sua fala o Senhor Jesus não deixou de censurar os moradores das cidades que se tornaram impermeáveis (impenetráveis) à mensagem evangélica. No juízo final essa atitude deles seria considerada em sua gravidade.
A alegria dos discípulos e de Jesus é a experiência daqueles que respondem “sim” ao chamado divino.
Pelo que lemos descobrimos que o verdadeiro crescimento qualitativo e quantitativo da igreja só ocorre quando os discípulos de Jesus, em duplas, saem em batalha “corpo a corpo” anunciando o Evangelho. A missão dos setenta seguiu-se à missão dos doze. Na divulgação do Evangelho Jesus optou pela excelência.
Os vultosos investimentos na mídia (meios de comunicação) para anunciar o Evangelho é uma forma inteligente e mais confortável de tornar Jesus Cristo conhecido, mas é menos eficaz que o contato pessoal, estratégia utilizada por Jesus no envio dos doze e dos setenta. Os custos desse projeto são mínimos, mas permanentes os benefícios. Nada substitui o contato pessoal no anúncio do Evangelho.
Antes de acolher a mensagem do Evangelho as pessoas querem ver se ele funciona verdadeiramente na vida de quem o anuncia.
O caráter, muito mais que as palavras impressionam os ouvintes. Essa verdade não é descoberta quando o pregador está “online” e distante em seu relacionamento com os ouvintes ou videntes.

ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Manter-se fiel à verdade conhecida.

DETALHES
- Os discípulos de Jesus foram chamados para o confronto e não para o conforto.

APLICAÇÃO
- Ser fiel às orientações deixadas por Jesus.

PENSAMENTO
Ser discípulo é obedecer às orientações do Mestre.

VERSÍCULO PARA DECORAR
“Ide. Eu vos envio como cordeiros ao meio de lobos”. v. 3.

ORAÇÃO
Senhor ajuda-me a viver e anunciar o Evangelho.

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