sábado, 8 de maio de 2010

LUCAS - Estudo 33: O QUE ACONTECE APÓS A MORTE - cap. 16. 19 – 31.

Neste texto encontramos:
- Breve biografia de um homem rico voltado para si e aos seus interesses. v. 19.
- Lázaro: retrato da miséria. v. 20 – 21.
- Ricos e pobres: desigualdade existente na história das pessoas e nações é resultado da queda. v. 19 – 21.
- Morte física: fator de igualdade entre ricos e pobres é resultado da queda. v. 22. Gênesis 2. 16 - 17; 3. 6 – 11; Romanos 3. 23; 6. 23.
- Destino pós-morte está vinculado ao relacionamento pré-morte com Deus e Sua Palavra e não à riqueza ou pobreza. v. 22 – 25; João 3. 16, 36; 5. 24; Romanos 5. 1; Hebreus. 9. 27 – 28; 1 João 5. 11 - 12.
- A comunicação entre habitantes do Reino da Luz e do reino das trevas na eternidade, bem como entre mortos e vivos não é permitida por Deus. Satanás se aproveita desse intervalo oculto aos seres humanos para enganá-los. v. 26 – 28; Deuteronômio 18. 9 – 14. Destaque para o verso 11b; 1 Samuel 28; Isaías 8. 19 – 20.
- A Palavra de Deus está disponível aos que continuam vivos na terra. v. 29.
- O Evangelho é para ser anunciado pelos vivos aos vivos. Mortos não podem retornar para contar sua situação pós-morte e muito menos transmitir a Palavra de Deus. Demônios ou pessoas enganam quem deseja romper esse ordenamento divino. v. 30.
- Quem não ouve dos vivos a Palavra de Deus, muito menos a ouvirá dos mortos.v. 31.

VISÃO GERAL
A vida pós-morte sempre despertou a curiosidade dos vivos. A única fonte segura para falar do estado pré e pós-morte são as Escrituras, a Palavra de Deus.
Jesus Cristo ao se tornar homem, sendo co-criador juntamente com o Deus-Pai e Deus-Espírito Santo, partilhou com a humanidade informações preciosas e confiáveis sobre esse tema. Somente Ele experienciou antes de ser homem, a Divindade. Ao se tornar homem viveu tanto o período pré como pós-morte. Em outras palavras: Sua existência eterna como Deus, histórica como homem e novamente eterna como Deus/homem é motivo suficiente para ser considerado e acolhido em Sua autoridade divino/humana na revelação do que era, é e há de ser.
O que Cristo nos revelou é o que cremos. Nessa fé vivemos na esperança confiante e consoladora do que nos está reservado em razão de nossa união com Cristo em Sua morte e ressurreição. Mateus 10. 28; 22. 23 – 33; 25. 31 – 46; João 5; Romanos 6; 1 Coríntios 15.
A história do rico e do mendigo Lázaro precisa ser analisada à luz do contexto bíblico para que entendamos a doutrina que envolve a morte espiritual e a física.
Antes de falar sobre o que acontece após a morte, precisamos ouvir as Escrituras. Elas nos mostram como a morte espiritual e física entraram no mundo. Falam da providência do Deus de Amor para destruí-las na vida dos salvos e restaurá-los a Si em plena comunhão de santidade e na integridade do ser a fim de que pudessem viver eternamente com Ele. Os perdidos, isto é, aqueles que rejeitam o plano da salvação do Cristo do Deus de Amor, sofrerão na integridade do ser as conseqüências da morte espiritual, ou seja, afastamento eterno de Deus.
Enquanto os seres humanos estiverem vivos na terra, Deus lhes oferece a oportunidade de arrependimento, confissão, abandono dos pecados e uma nova vida em Jesus Cristo.

FOCALIZANDO A VISÃO
A história contada por Jesus nos ensina que o relacionamento correto com Deus, enquanto estamos vivos na terra, é determinante no destino pós-morte.
Deus nos criou para vivermos eternamente com Ele. Infelizmente o homem não viveu durante muito tempo nesse estado de santidade com o Criador. Fez uso errado de sua liberdade, dom divino, quando deixou de ouvir a Deus a quem conhecia para ouvir o Diabo seu desconhecido. Sua decisão pecaminosa representou rebelião contra o governo de Deus. Isso o levou à morte espiritual, isto é, à separação de Deus. Mesmo vivo fisicamente o homem estava espiritualmente morto. Nesse estado, alimentou seu egoísmo, se endeusou, tornou-se violento e fabricou deuses segundo sua imagem e semelhança. De forma decadente se dobrou diante de suas figuras e esculturas de homens e animais em sujeição religiosa. Colocou-se, como criatura de Deus, abaixo dos objetos de adoração que criou. A pessoa morta espiritualmente se assemelha aos seus deuses. Salmo 115.
A morte espiritual devido ao pecado gerou no homem a morte física, isto é, a separação do espírito/alma do seu corpo. Longe de Deus, espiritualmente morto e sujeito à morte física o homem ficou na pior condição que uma criatura poderia estar. O Deus de Amor e de Justiça, ofendido pelo homem, continuou amando-o e pôs em ação na história Seu plano de salvação estabelecido na eternidade. A metodologia divina tem sido concretizar primeiro o seu projeto e dar-lhe um propósito antes de iniciá-lo na história. Isso se aplica aos Seus planos e criaturas. O Deus Onisciente, Onipresente e Onipotente jamais é surpreendido. Apocalipse 13. 8.
Jesus Cristo, Deus eterno, por deliberação conjunta da Divindade tornou-se homem e nessa condição assumiu voluntariamente a culpa do pecado daqueles que Nele crêem como Senhor e Salvador para que fossem salvos ou aceitos por Deus como filhos. Essa ação amorosa do Filho de Deus e Filho do homem para atender as exigências da Santidade, do Amor e da Justiça divina, O sujeitou em sua condição humana ao sofrimento de duas mortes: a espiritual e a física porque o Seu sacrifício foi substitutivo. A primeira O separou temporariamente de Deus devido ao pecado não praticado, mas assumido por Ele. A segunda separou seu espírito/alma do corpo porque se tornou em tudo semelhante ao homem. Após ter contemplado o amor e a justiça de Deus, o Espírito Santo O ressuscitou em corpo glorioso e sem pecado, desfazendo assim a morte espiritual e a física com os seus efeitos, respectivamente, espirituais e temporais. Na ressurreição a comunhão plena com Deus foi restabelecida tanto espiritual como fisicamente. Romanos 6 e 8.
O Ressuscitado, agora, sem pecados sobre Si, jamais ficaria sujeito a qualquer tipo de morte porque Nele estava a vida de Deus como estava antes de Sua morte. Após a ressurreição Seu corpo glorioso manteve as marcas da crucificação como provas eternas da morte substitutiva. Nesse estado de glória retornou aos céus e ao lado de Deus, em sua condição humano/divina, intercede por nós. Prepara-nos um lugar junto Dele. Em breve virá buscar os salvos para que estejam para sempre onde Ele está. Quem está em Cristo, isto é, unido espiritualmente a Ele em Sua morte e ressurreição tem a garantia da vida eterna com Deus na plenitude do ser, ou seja, espírito/alma e corpo glorificados tal como Jesus. Lucas 24. 36 – 43; João 20. 26 – 31; Apocalipse 19. 11 - 16.
Por outro lado, os que se fizeram inimigos de Deus pela rejeição ao Evangelho de Jesus Cristo estarão distantes de Deus e essa distância significa sofrimento eterno com o arquiinimigo de Deus: Satanás e seus demônios. Por mais que as pessoas rejeitem esse pensamento de sofrimento eterno, ele será uma realidade porque assim Deus determinou àqueles que rejeitam Sua oferta de amor e de salvação em Jesus Cristo. Ninguém estará com Deus por méritos próprios. O homem por melhor que se considere, não tem mérito nenhum sem que Jesus Cristo o apresente em Sua pessoa ao Pai como justo e aceitável aos olhos de Deus por sua fé Nele. Isaías 64. 6; Efésios 2. 8 – 10.
A história contada por Jesus mostra dois homens cujas vidas se diferenciaram material e espiritualmente. A desigualdade material os colocou em pólos opostos: riqueza e pobreza. O rico vivia na opulência e o pobre na carência. Um estava em cima e o outro embaixo. A desigualdade espiritual os colocou em pólos opostos. Aos olhos de Deus o rico era espiritualmente pobre e o pobre espiritualmente rico. Como a vida na terra é breve, a morte física os igualou independente da riqueza ou pobreza. Na continuidade da vida, no período pós-morte, a riqueza espiritual do pobre continuou na eternidade na forma da bem-aventurança e a pobreza espiritual do rico se tornou em tormento.
O pobre foi para o céu não porque era pobre, mas porque era rico para com Deus. O rico foi para o sofrimento eterno não porque era rico, mas porque era pobre para com Deus. Pensou no efêmero e não no eterno. Lucas 12. 13 – 21.
O texto revela que na vida pós-morte a alma permanece consciente em sua nova realidade. A memória do rico ao fazê-lo se lembrar do passado e dos seus parentes que viviam vida semelhante à dele, antes da morte, o atormentava.
O rico em seu estado pós-ressurreição, em espírito/alma e corpo, teve como destino a perdição eterna em razão de sua vida anterior, pré-morte, vivida em relacionamento errado com Deus. Daí o destaque dado por Jesus ao sofrimento e à sede. Desesperadamente o rico pede misericórdia ou uma nova oportunidade. Se pudesse refaria a sua vida. Em sua angústia lembra-se de seus familiares e solicita ajuda para que eles não viessem ao mesmo lugar de sofrimento. Nesse gesto, agora já perdido, revela sua preocupação com a eternidade dos seus, o que não ocorreu enquanto vivia na terra. Ele não acreditava na eternidade e quem sabe até riu ou expulsou aqueles que lhe falavam dela, mas agora tardiamente havia constatado a realidade da mensagem que ouvira. Havia desprezado a verdade. Fora enganado pela sua própria crença ou pelo falso conforto que o diabo oferece a quem lhe dá ouvidos quando diz: “morreu tudo acabou” ou “não há vida após a morte”. A “verdade” na qual acreditou era uma grande mentira. Em seu diálogo, pós-morte e pós-ressurreição, com Abraão, nome que remete ao próprio Deus, os argumentos do desesperado homem foram desfeitos um a um: a) a comunicação, na eternidade, entre salvos e perdidos, é impossível. Deus não a permite. Só há comunicação entre os salvos ou entre os perdidos, cada qual em sua realidade espiritual definitiva. Como prova temos a inexistência do diálogo entre o rico e Lázaro; b) Lázaro nada poderia fazer pelo rico; c) o abismo entre céu e sofrimento eterno é intransponível; d) a comunicação de mortos com vivos mesmo para realizar uma boa obra não é permitida por Deus. O Diabo sabe disso e engana pessoalmente ou por meio de demônios e pessoas aqueles que se rebelam contra esse ordenamento divino. Envia mensagens por demônios que imitam a voz, a letra e as obras de quem já morreu porque no seu tempo de vida as conhecia muito bem. Com isso ministra o seu falso conforto para que as pessoas permaneçam submissas a ele, mas distantes da verdade que há em Jesus Cristo; e) quem não ouve a Palavra de Deus pregada pelos vivos, jamais a ouvirá dos mortos; f) a incredulidade é pecado sem perdão. Quem não ouve a Deus enquanto vive na terra muito menos ouvirá se fosse permitido a um ressuscitado lhe pregar o Evangelho. É por isso que Deus, na eternidade, não atende aos pedidos dos perdidos que no estado pré-morte desprezaram o Evangelho. 2 Coríntios 11. 13 – 15.
O texto chama-nos a atenção para o fato de que Lázaro permanece em silêncio. Em sua nova natureza eterna o passado não existe para os salvos como deixou de existir após terem recebido a Jesus em vida. Após o novo nascimento em Cristo, Deus nos trata como novas criaturas. O passado da pessoa não mais Lhe interessa, mas sim o que fará na nova vida em Cristo. 2 Coríntios 5. 17.
No céu não há espaço para a tristeza. Os ressurretos vivem o eterno presente de Deus em plena bem-aventurança como irmãos de Jesus Cristo e filhos de Deus. Essa é a esperança dos salvos que confiaram nas palavras de Jesus e O acolheram como Senhor e Salvador e por isso O serviram no seu estado pré-morte para que no estado pós-morte pudessem receber o que Deus lhes reservou como filhos amados. João 1. 12 – 13; Lucas 20. 27 – 40..
A clareza da história contada por Jesus satisfez os ouvintes que entenderam a mensagem transmitida.

JESUS E NÓS
1. Jesus morreu e foi sepultado: Nós morreremos e seremos sepultados. Hebreus 9. 27 – 28.
2. Após a morte, o corpo (instrumento do ser) de Jesus ficou no túmulo e seu espírito/alma (essência do ser) foi para Deus e ficou aos Seus cuidados por três dias. Após a nossa morte, o corpo ficará no túmulo onde será desfeito pelo tempo, mas a essência do ser (espírito/alma) irá para Deus no aguardo da ressurreição do corpo. Nesse estado e em locais próprios, os salvos tem esperança e os perdidos estão antecipadamente desesperados. Lucas 23. 46, 50 – 53.
3. O espírito/alma de Jesus, como homem, não ficou para sempre com o Pai porque o seu corpo ainda estava na terra. No terceiro dia de sua morte, para cumprir as Escrituras, foi ressuscitado em corpo glorioso e adequado para habitar o céu. Após a ressurreição, Jesus permaneceu na terra durante quarenta dias. Apareceu por várias vezes aos Seus discípulos, bebeu e comeu com eles. Findo esse período retornou à casa do Pai para que fosse o nosso mediador perfeito em sua humanidade e divindade. A exemplo de Jesus Cristo, Deus nos quer completos no céu, como pessoas, em espírito/alma e corpo. O espírito/alma, após a morte física, não ficará para sempre com Deus, mas voltará à terra a fim de receber um novo corpo adequado e glorioso para habitar o céu. Fato a ocorrer com os salvos, na primeira ressurreição como cumprimento das Escrituras. 1 Tessalonicenses 4. 13 – 18.
4. Jesus ressuscitou para nunca mais morrer. Na primeira ressurreição e arrebatamento da igreja ressuscitaremos para nunca mais morrer porque no corpo glorioso não há pecado. Os crentes que estiverem na terra serão transformados e terão o mesmo corpo dos ressuscitados. Os salvos subirão ao céu para habitar com Jesus para sempre. Onde Ele estiver estaremos. Viveremos em plenitude como pessoas o que Deus preparou para aqueles que Ele amou e que O amam. João 14. 2 – 3: 1 João 3.1- 3. As pessoas que rejeitaram o Evangelho e consideraram sem valor as palavras de Jesus Cristo, ressuscitarão num momento posterior. Em sua plenitude como pessoas, em espírito/alma e corpo, sofrerão eternamente pelo fato de rejeitarem o amor de Deus e o sacrifício substitutivo de Cristo na cruz em favor apenas daqueles que Nele crêem e O acolhem como Senhor e Salvador. Sem Cristo não há esperança eterna com Deus. Essa foi a realidade do homem rico desta história profética contada por Jesus. Mateus 10. 28.
5. A vinda, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus e o Seu retorno ao céu, foram sinais para a humanidade e os anjos de que as Escrituras se cumprem porque Deus é Fiel. Nossa ressurreição e arrebatamento serão sinais para a humanidade e os anjos, do cumprimento das Escrituras conforme anunciada por Jesus e pelos apóstolos. As promessas de Deus se cumprem na vida de quem crê no sacrifício salvador de Jesus Cristo.
Permaneçamos no que as Escrituras nos ensinam e as promessas de Deus se cumprirão em nós no presente e no porvir.

ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Os salvos descansam nas palavras pronunciadas por Jesus Cristo.

DETALHES
- O que ocorreu com Jesus em sua condição humana ocorrerá conosco.

APLICAÇÃO
- Só o salvo pode falar com autoridade sobre a vida pós-morte.

PENSAMENTOS
Só estarão com Deus na eternidade aqueles que caminham com Ele no presente. Não dê ouvidos ao falso conforto de Satanás ao afirmar que a morte física é o fim. Toda a humanidade prestará contas de sua vida ao Criador.

VERSÍCULO PARA DECORAR
“...Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão ainda que algum dos mortos volte à vida”. Lucas 16. 31.

ORAÇÃO
Capacita-me Senhor a fim de ser rico para Contigo e assim estar preparado para a primeira ressurreição.

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