quarta-feira, 2 de junho de 2010

MARCOS - ESTUDO 11: SEMEADURA E COLHEITA – cap. 4. 1 – 20.

Neste texto encontramos: Voltar para a página inicial
- Jesus fala dos mistérios do Reino de Deus a uma grande multidão às margens do mar da Galiléia. Usa um barco como plataforma.  v. 1.
- Jesus ilustra Seu ensino com parábolas e o aproxima da vivência das pessoas. v. 2.
- A semeadura da Palavra de Deus em vários ambientes é o conteúdo do ensino.  v. 3 – 20.
a) O semeador precisa sair para semear. A semente é o Evangelho. Os ouvintes são os solos onde a semente cai. v. 3, 14.
b) Parte da semeadura das sementes caídas no solo endurecido do caminho ficou na superfície. Não germinou. Atraiu as aves e foi devorada por elas. Representa as pessoas que ouvem desatenciosamente a Palavra de Deus.  Satanás se aproveita dessa insensibilidade e superficialidade, retira delas o entendimento e a revelação da Palavra e oferece gratuitamente sua palavra e entretenimentos para que a Palavra não germine. Assim engana, rouba o tempo e afasta as pessoas de Deus. v.  4, 15.
c) Parte da semeadura das sementes caídas sobre pedregais germinou. Devido a insuficiência de terra fértil não houve crescimento suficiente e frutificação. A semente foi queimada pelo calor das pedras. Representa as pessoas superficiais e volúveis (instáveis). Alegram-se momentaneamente com a Palavra de Deus e a acolhem com reservas. Não permitem, porém, que ela se aprofunde em sua vida e mude o seu caráter.  Querem os benefícios e não os custos da Palavra. Assim que são provadas por fatores externos (tribulação e perseguição) descartam o que ouviram e se voltam para novas mensagens. v. 5 - 6, 16 – 17.
d) Parte da semeadura das sementes caídas entre espinheiros germinou, mas foi sufocada por eles. Não frutificou. Representa as pessoas que ouvem a Palavra, mas não a colocam como prioridade em sua vida devido a fatores internos: excessiva preocupação consigo mesmas; egoísmo, angústia e profunda tristeza; cobiça por bens materiais, soberba e ansiedade contínua pelo desconhecido. Com o tempo se deixam sufocar por eles. Por tentarem resolver os problemas por si mesmas, não confiam na Palavra e a abandonam sem a terem experimentado suficientemente. v. 7, 18 – 19.
e) Parte da semeadura das sementes caídas em boa terra germinou e frutificou. Representa as pessoas que ouvem e acolhem em profundidade a Palavra de Deus e se deixam transformar por ela. Assumem os custos e os benefícios da Palavra. São frutíferas. Mantém em alta a sensibilidade para ouvir, acolher e praticar o que aprenderam da Palavra. Não se deixam abater pelas pressões internas e externas. A frutificação diferenciada reflete sua individualidade ministerial no Reino de Deus. v. 8, 20. 
- Ouvidos de ouvir, obedecem. v. 9.
- O interesse do ouvinte em ouvir o que está sob o discurso ou o seu verdadeiro sentido, permite ao Mestre a oportunidade de trazer à superfície as intenções do ensino. Com isso o discípulo se assemelha a uma árvore que para crescer, alcançar as alturas, se expandir a fim de ser abundantemente frutífera, vai buscar, pelas raízes, nas profundezas do solo, os seus nutrientes.  v. 10.
- A revelação ou o ocultamento da Palavra é proporcional ao interesse do ouvinte. Deus não sonega Sua Palavra, mas a revela no limite do entendimento humano. v. 11 – 12; João 16. 12.
- O entendimento da Palavra é cumulativo. Vai do simples ao complexo e do próximo ao remoto.  v. 13.
VISÃO GERAL
Na parábola que fala do semeador, da semeadura e dos solos o Senhor Jesus mostrou a ação do Evangelho no interior dos Seus ouvintes. O semeador semeia o Evangelho, a semente divina de excelente e induvidável qualidade. Os solos onde a semente é semeada nem sempre são de qualidade e por isso a semente não realiza o que a sua natureza estava determinada a fazer.
Em Sua narração o Senhor Jesus partilhou com os discípulos Sua experiência ministerial com esses quatro tipos de ouvintes. Os solos referidos na parábola  se aplicam ao público evangélico e não evangélico.  
O conteúdo da parábola funciona como um aferidor de medida para que nos avaliemos em qual grupo de ouvintes nos encontramos. Nossas ações e não nossas palavras nos colocam dentro deles. Caso não estejamos no grupo da boa terra somos desafiados a nos transferimos a ele
FOCALIZANDO A VISÃO
Em Suas viagens missionárias o Senhor Jesus foi acompanhado por pequenas e grandes multidões.  Cada um dos ouvintes tinha sua motivação particular para segui-Lo, mas no geral era a sede da Palavra de Deus que os atraia a Jesus.
Decepcionados com a liderança religiosa judaica hipócrita, muitas pessoas transferiram sua confiança para Jesus porque a coerência na vivência da Palavra de Deus O recomendava como autoridade espiritual e exemplo a ser seguido.  Ele tinha palavras de vida eterna. O apóstolo Pedro resumiu esse sentimento da multidão em relação a Jesus quando disse: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus”. João 6. 68 - 69. 
Nesse dia a multidão que desejava estar com Jesus aumentou de tal maneira que os discípulos providenciaram um barco. Jesus entrou nele e afastado da praia pode falar com clareza a todos. 
Essa providência foi necessária porque muitas pessoas enfermas ou endemoninhadas se atiravam sobre Jesus e com o tumulto era impossível ministrar ordenadamente a Palavra de Deus. Com essa atitude Jesus estabeleceu um princípio: as Escrituras devem ser expostas em ambiente onde haja ordem e decência. Devido a sua sublimidade (excelência), é imprescindível que a atenção, a ordem e a reverência a Deus estejam presentes no período da ministração da Palavra do Senhor porque ela vem das Escrituras, do trono, do Rei dos reis e do Senhor dos senhores. O expositor da Palavra, temente a Deus, jamais deve partilhá-la em ambiente onde inexistam, pelo menos, esses três elementos. Sem uma audição apurada é impossível que haja a reação esperada.   
Assim que a ordem foi estabelecida o Senhor Jesus iniciou o Seu ensino contando inicialmente uma parábola para ilustrar quatro ambientes onde a Palavra de Deus foi semeada: solo impermeável, rochoso, recheado de espinheiros e finalmente em boa terra.
Uma parte das sementes semeadas caiu à beira do caminho e encontrou um solo endurecido. As sementes ficaram na superfície. Uma vez expostas no solo, atraíram a atenção das aves que se aproximaram e fizeram delas seu alimento. As sementes não cumpriram a função para a qual foram semeadas. Não houve germinação, crescimento e colheita porque as sementes foram devoradas. O ouvinte desatento e apressado ao se mostrar insensível à Palavra de Deus é visitado pelo inimigo que a retira de sua mente e a substitui por sua palavra. Tira o que tem conteúdo e traz salvação e coloca o que dá prazer e perdição. Dessa forma seduz e engana o ouvinte.  
Outra parte das sementes semeadas caiu num solo pedregoso onde havia pouca terra. As sementes germinaram rapidamente na pequena porção de terra existente. Com o surgimento do sol  pela manhã, as pedras se aqueceram e o seu calor tirou a umidade do solo, Os vegetais não resistiram ao calor pereceram. Os ouvintes que se encaixam nesse ambiente são aqueles que recebem prontamente a Palavra de Deus e se alegram momentaneamente pelo fato de conhecê-la, mas não permitem que ela crie raízes em seu espírito. A Palavra foi germinada em seu interior, mas eles colocam restrições à sua ação plena na vida. Querem o descanso, a paz e as bênçãos do Abençoador, mas não desejam assumir compromissos com Ele e com o que diz. O surgimento de tribulações externas: pressão da família ou de ‘amigos’, perseguição por causa da Palavra ou situações que fogem ao controle, leva a pessoa a abandonar a Palavra com a mesma rapidez que a acolheu. Espiritualmente mortos, murcham e se afastam de Deus e de Sua igreja. Em sua cegueira espiritual caminham para a perdição eterna.
Outra parte das sementes semeadas caiu num solo onde havia muitos espinheiros. As sementes germinaram enquanto os espinheiros estavam rente ao chão. O crescimento vigoroso destes abafou os novos vegetais que sem forças murcharam e morreram. Esse grupo se diferencia sutilmente do anterior. São aqueles que acolhem a Palavra de Deus e permitem que ela germine. Uma vez iniciado o crescimento, essas pessoas, por falta de vigilância e oração, começam o seu processo de decadência de dentro para fora. Passam a levar uma vida dividida como se Deus não as observasse. Tentam conciliar os interesses de Deus com os interesses do mundo anti-Deus. Os conflitos são inevitáveis porque a luz jamais faz acordo de paz com as trevas. O surgimento da falta de autenticidade ou hipocrisia torna-se inocultável. No seguimento, passam a gastar maior tempo com os interesses materiais enquanto diminuem o período reservado à comunhão com Deus e ao serviço em Sua igreja. A autossuficiência alimenta a soberba e com isso as quedas se tornam mais freqüentes. A independência de Deus fazem surgir o medo, as preocupações e a ansiedade. Com isso a Palavra não pode realizar o que se propôs a fazer e a vida da pessoa torna-se infrutífera. Definha-se e perde a vida de Deus que havia em seu interior dando lugar à morte e perdição eterna.      
Finalmente, parte das sementes semeadas caiu no bom solo ou boa terra. Nesse ambiente favorável germinaram, cresceram e frutificaram. A quantidade dos frutos produzidos acompanhou a individualidade das sementes. Representam as pessoas que ouvem, entendem e acolhem a Palavra de Deus em sua vida, permitindo que ela realize em seu interior e caráter o que se propôs a fazer. São pessoas frutíferas e plenamente realizadas em sua vida espiritual e material. São amorosas e abençoadoras onde estão. Refletem em seu caráter o caráter de Cristo e por isso são autênticas e com autoridade espiritual para semearem a Palavra.
A multidão ouviu essa parábola e a entendeu em seu sentido literal e lógico. Faltava-lhe o discernimento e a inteligência espiritual para aplicá-la à própria vida em seu sentido prático e espiritual. Não possuiam a revelação da Palavra em seu interior somente possível com a ação do Espírito Santo. Sem essa revelação a Palavra fica solta no ar ou é apenas aplaudida em sua erudição porque atinge a mente e as emoções e não o coração, o interior, o espírito das pessoas. É nesse interior insondável, mas desvelado apenas pelo Criador que as transformações espirituais profundas do caráter cristão são iniciadas, processadas e completadas ao longo da vida. Essa obra divina só o Espírito Santo pode realizar. Sem Ele não há novo nascimento ou verdadeira conversão a Deus. Só o Espírito Santo gera o novo homem em nosso interior e o torna visível a nós e ao mundo.  
Inicialmente os doze e os discípulos não se diferenciaram da multidão: seu entendimento era  literal e lógico. O Espírito Santo, porém, os despertou ao conhecimento da verdade profunda do ensinamento de Jesus e os moveu a pedir explicações ao Mestre.
Jesus declarou a eles que: a) os mistérios do Reino de Deus são revelados àqueles que estão dentro do Reino e interessados em conhecê-los para vivenciá-los em sua vida; b) aqueles que desejam ficar do lado de fora do Reino, o conhecimento que adquirem é apenas superficial e atinge os sentidos e não o coração, o interior, o espírito.  Este conhecimento contempla a mente, mas não os leva à conversão a Deus, não os leva à nova vida em Cristo.
Deus revela os mistérios do Seu Reino não a quem quer conhecê-los por curiosidade, iniciativa pessoal ou esforço intelectual movido pela sabedoria humana. Esses teólogos retornarão ao seu estado inicial sem conhecimento algum. Deus não divide com homem algum a glória de conhecê-Lo.
Deus se deixa conhecer por aqueles que de forma humilde se aproximam do Criador e pedem a Ele que lhes conceda pelo Espírito Santo a graça de conhecê-Lo pela revelação que faz de Si mesmo em Sua Palavra. Deus vai além:   dá-lhes a fé para que tenham em si a capacidade para crer e receber Dele o que nos dá em Seu Filho. Com isso nos capacita a amá-Lo, adorá-Lo e servi-Lo.
Após a exposição do sentido mais profundo da parábola, o Senhor prosseguiu o Seu ensino. Havia muito a dizer, tanto à multidão como aos discípulos.
ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- O semeador da Palavra de Deus
precisa estar na dependência do Espírito Santo para que seja qualificado em seu trabalho.
DETALHES
- O ouvinte da Palavra revela quem é pelo uso que faz da verdade que conhece. 
- O cristão semeia a Palavra de Deus e não a sua palavra. 
- Na lei natural a quantidade de grãos colhidos é maior que os semeados.
- No Reino de Deus o semeador divide as sementes colhidas em três partes: a) alimentação própria: autoinvestimento espiritual através da Palavra; b) distribuição: a Palavra é semeada gratuitamente pela evangelização; c) ensino: o semeador pelo ensino faz do ouvinte um multiplicador da Palavra.  
APLICAÇÃO
- Semear em todos os solos e pedir ao Espírito Santo que o capacite a limpar os solos para que a Palavra germine, cresça e frutifique em todos eles.
PENSAMENTO
Antes de semear a Palavra o semeador deve fazê-la frutificar em seu interior. 
VERSÍCULO PARA DECORAR
O que semeia, semeia a Palavra.
v. 14.
ORAÇÃO
Senhor capacita-me para semear a Tua Palavra.