sábado, 16 de outubro de 2010

JOÃO - Estudo 38: PERMANECER EM JESUS - cap. 15. 1 – 17.

Neste texto encontramos:
- Jesus se compara a uma videira verdadeira que é cuidada pelo Pai, o Agricultor. v. 1.
- O Pai corta o ramo infrutífero que está na videira. Algumas razões do corte: a) ocupa espaço inutilmente; b) prejudica a saúde dos demais ramos da videira; c) desperdiça o alimento que recebe da seiva da videira; d) mantém obstáculo que impede a perfeita comunicação com o tronco da videira; e) está fora dos propósitos da videira. Ex. Judas Iscariotes. v. 2a; Isaías 59. 1 - 2.
- O ramo que frutifica, o Agricultor o limpa para que seja mais frutífero. A limpeza é feita pela Palavra. Ex. os onze apóstolos. v. 2b.
- A Palavra de Deus possui infinito poder de limpeza no interior de quem se deixa purificar por ela. v. 3.
- Na medida em que permanece unido a Jesus Cristo, a Videira verdadeira, o ramo (discípulo) mantém sua produção natural no tempo próprio. Jesus permanece no discípulo por Sua Palavra. Ele é a Palavra. O discípulo permanece unido a Jesus pela obediência à Palavra. v. 4a; João 1. 1 – 4, 14.
- Desconectado da videira o ramo não produz fruto por si só. v. 4b.
- Os discípulos só produzem frutos, isto é, obras que agradam a Deus, se estiverem unidos a Jesus Cristo, a Videira. v. 4c.
- A Videira Verdadeira é Jesus. Seus discípulos são os ramos. v,5a.
- A frutificação dos ramos só ocorre em razão de sua união plena com a Videira. Desunidos, são estéreis. v. 5b.
- No Reino de Deus, sem Jesus, nada de bom podemos fazer. v. 5c.
- A impermanência em Jesus representa a natureza do falso discípulo. No tempo próprio o Agricultor o retira do contato com a videira e o separa para ser queimado. Não há vida eterna com Deus para quem viveu no presente separado de Jesus. v. 6; João 3. 36; 5. 24.
- A permanência em Jesus se dá pela obediência a Sua Palavra. Ela nos une a Ele. Com isso Ele sempre nos atenderá porque nossos pedidos correspondem ao que Ele deseja nos dar. Somos abençoados para abençoar. Esse era o relacionamento de Jesus com o Pai. A Palavra os unia. Essa foi a razão porque Jesus cumpriu plenamente as Escrituras. v. 7; João 8. 29; Lucas 24. 26 – 27, 44 – 49.
- Deus é glorificado quando os discípulos de Jesus são frutíferos. Pessoas infrutíferas precisam rever seu relacionamento com Deus ou se preciso for se converter realmente a Jesus Cristo. Caso contrário, serão cortadas e queimadas, isto é, se perderão eternamente. Antes de estar na igreja é preciso, primeiro, estar em Cristo. Essa verdade não pode ser driblada, sonegada ou ignorada. v. 8; v. 2a; v. 6; Mateus 7. 16 – 23; Romanos 6. 16; 1 Coríntios 6. 19; 2 Coríntios 13. 5.
- Jesus nos ama como o Pai O ama. Permanecer no amor de Jesus significa amá-Lo do jeito que Ele deseja ser amado, isto é, pela obediência (fidelidade) a Ele e a Sua Palavra; se deixar amar por Ele (humildade); amar quem Ele ama com o amor que Dele recebemos (generosidade). v. 9, 10, 12, 17; João 14. 15, 21, 23, 24.
- Permanecer no amor de Jesus significa obedecer aos Seus mandamentos. De Sua parte, Jesus permanecia no amor do Pai pela obediência aos Seus mandamentos. v. 10.
- A alegria que há em Jesus é nossa quando acolhemos e obedecemos a Sua Palavra. Ele é a Palavra. Se Jesus está em nós, em nós está a Sua alegria. Alegria irremovível. v. 11; João 1. 1 – 4; 16. 20, 22.
- Ao ordenar o amor mútuo o Senhor Jesus se coloca como modelo desse amor. Quem O ama, ama as pessoas como Ele ama. v. 12, 9, 17.
- Quem verdadeiramente ama coloca sua vida e o que possui à disposição do bem estar do outro para o que for útil e agradável a Deus. v. 13.
- Jesus chama de amigos apenas aqueles que obedecem aos Seus mandamentos. A infidelidade não gera verdadeira amizade. v. 14; Isaías 41. 8; Romanos 12. 9; Tiago 2. 23; 2 Pedro 1. 22.
- Jesus dá tratamento de amigo aos discípulos. Provou isso ao revelar a eles o Pai e o que ouvia Dele. Tudo o que o entendimento deles era capaz de absorver, Jesus deu-lhes conhecimento. v. 15.
- Jesus escolheu os discípulos, investiu Sua vida neles, capacitou-os e protegeu-os para que fossem frutíferos no Reino de Deus com obras perenes. Investir em vidas é investir em sua eternidade com Deus. v. 16a; João 17. 12.
- O Pai concede ao discípulo fiel, pelo Nome de Jesus, tudo o que está de acordo com o Seu caráter e o do Mediador. v. 16b.
- Jesus reafirma o Seu permanente mandamento: amem-se mutuamente. v. 17, 9, 12.

VISÃO GERAL
Após a saída do cenáculo em direção ao Monte das Oliveiras e mais particularmente ao Jardim do Getsêmani, Jesus prosseguiu no Seu ensino. Comparou-se a uma videira com muitos ramos e cuidada zelosamente pelo agricultor. Jesus é a Videira verdadeira, o Agricultor é Deus e os ramos são os seguidores.
Durante Sua exposição a palavra-chave, isto é, a palavra geradora de novos conceitos, foi permanência. Citou vários tipos de permanência: a) entre o Pai e o Filho; b) entre o Mestre e os discípulos; c) no amor entre os discípulos; d) na Palavra e nos mandamentos; e) no amor de Deus e no amor a Deus; f) na obediência à Divindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Relacionou os frutos da permanência na Videira: a) a prática de boas obras diante de Deus e de quem nos cerca; b) a alegria de Jesus em nós; c) o conhecimento privilegiado de Deus e de Sua Palavra; c) a prática da obediência irrestrita a Deus; d) o atendimento das orações; e) a direção, a paz e a proteção de Deus na vida presente; f) a vida eterna com Deus.
Permanecer na Videira significa estar unido indissoluvelmente a Deus e Seu Filho através da ação do Espírito Santo em nós, Suas criaturas, pela Palavra. Essa permanência leva-nos à realização dos propósitos divinos e a expressar o caráter da Divindade nas atitudes e ações. Jesus adotou esse procedimento como criatura em Sua natureza humana.
Nessa exposição Jesus declara que os ramos da Videira ao responderem com frutos (boas obras) aos cuidados amorosos do Agricultor são continuamente limpos ou santificados para que permaneçam produtivos. O que fazem no presente alcança a eternidade.
Os ramos insensíveis aos cuidados do Agricultor se tornam estéreis, sem frutos. São cortados e perecem.

FOCALIZANDO A VISÃO
Em Seu ensino o Senhor Jesus se coloca diante dos discípulos como a Videira verdadeira cuidada amorosamente pelo Agricultor, o Pai. Aqueles que O seguem são os ramos da Videira.
O trabalho incessante do Agricultor está voltado para a saúde plena dos ramos da Videira. Estes são cuidadosamente analisados, um a um. Durante o exame dois tipos de ramos são encontrados: os produtivos e os improdutivos. Diante dessa constatação o Agricultor se empenha por restaurar os ramos improdutivos. Faz isso por Sua Palavra que tem em si o poder restaurador, curador e de limpeza. v. 3; 2 Pedro 3. 9.
Entre os doze, a obra restauradora foi realizada principalmente em Judas Iscariotes. Ele recebeu de Jesus tudo o que era necessário à sua saúde espiritual e de caráter. Através do Verbo, Jesus, Deus trabalhou pessoalmente em sua vida o retorno ao primeiro amor. Infelizmente, a determinada obstinação desse discípulo em desprezar o amor de Deus o incluiu no rol dos ramos cortados. Terminada a obra que era da Sua competência, o Agricultor não se deteve na ação de cortá-lo da Videira. O ramo infrutífero além de trair Seu Filho e vendê-lo como se fosse um escravo numa ação abominável entre os religiosos ímpios, afrontou o Agricultor, ao desrespeitar Sua Soberania em tirar a vida de Suas criaturas no tempo que determina. Judas Iscariotes decidiu por si mesmo tirar a sua vida como se fosse proprietário dela. Constituiu-se juiz diante de Deus ao aplicar a si a sentença que julgava merecer.
Deus é amoroso, mas não se detém na aplicação da justiça quando o Seu caráter é afrontado por ramos infrutíferos.
O Agricultor ainda não cessou o Seu trabalho. João 5. 17. Permanece no exame dos atuais ramos da Videira. Seus olhos veem o interior de cada um e examina aqueles que estão na igreja, mas se recusam a estar em Cristo, isto é, se negam a servi-Lo como Senhor e em conseqüência àqueles que o cercam. Os ramos improdutivos querem ser servidos como se fossem senhores. Estão na contramão do ensino de Jesus. Nessa omissão desperdiçam a energia que recebem da Videira, isto é, não fazem uso do que aprendem, ocupam inutilmente o espaço e atrapalham o bom desempenho da planta porque não realizam a função para a qual foram chamados.
Essa atitude de permanente oposição aos interesses de Deus atrai a ira do Agricultor. Uma vez dada a sentença, Sua decisão é irrevogável e irrecorrível.
Deus nada pode fazer com a pessoa que decididamente se recusa na submissão a Sua autoridade e tratamento. Assim como a salvação exige a resposta de quem deseja ser salvo, o mesmo acontece com a restauração dos ramos improdutivos. Deus não impõe Sua vontade nas áreas em que a competência da decisão cabe aos seres humanos e principalmente quando se trata do futuro eterno. Ele não é arbitrário no salvar ou condenar.
Instalada a desobediência e a rebeldia, o que vem depois é a expressão da justiça divina. Esta se manifesta nos limites que Deus impôs ao Seu autodomínio. Deus não abre espaço para que Suas criaturas usem justificativas para fugirem de Sua disciplina temporal ou eterna.
Estão desautorizados a declarar a filiação divina aqueles que de forma persistente estão em oposição ao caráter de Deus e do que Ele expõe em Sua Palavra. Leia Mateus 7. 17 – 23; 12. 30; Lucas 6. 46; Gálatas 5. 22 – 23.
O amor de Deus contempla quem deseja ser amado por Ele, mas Sua justiça alcança até aqueles que não creem nela. Deus é suficientemente paciente e perdoador, mas não abre mão de Sua autoridade e direitos legais, estabelecidos por Ele, sobre Suas criaturas.
Que ninguém caia na insensatez de reivindicar para si, como direito, o amor de Deus ou exigir Dele o cumprimento desse dever pelo fato de ser Sua criatura enquanto permanece em rebeldia contra Ele. As Escrituras são claras: “Mas, se vocês não fizerem isso, estarão pecando contra o Senhor; e estejam certos de que não escaparão do pecado cometido”. Números 32. 23. (NVI). Outra versão: “...sabei que o vosso pecado vos há de achar”. Números 32. 23b. (ARA). Ainda: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna”. Gálatas 6. 7 – 8. (NVI).
Como advertência final para nos trazer à Luz, citamos o alerta do Espírito Santo às igrejas de todas as épocas ou aos ramos da Videira: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Apocalipse 2. 7a, 11a, 17a, 29a; 3. 6, 13, 22.
Quando Deus, o Agricultor, diz Sim, é Sim. Quando diz Não, é Não. A Graça de Deus anunciada no Evangelho de Jesus nos atrai à obediência e à permanência Nele. Não nos desobriga de ambas pelo fato de proclamarmos nosso seguimento a Ele.
Os ramos produtivos ao serem examinados, são limpos para que produzam mais. A qualidade dos seus frutos abençoa quem deles faz uso. O Agricultor considera que a Videira em sua integridade precisa ser abençoadora e é para isso que foi plantada na terra. João 1. 14.
Jesus fala da obediência com o mesmo entusiasmo com que fala do amor. Aliás, a obediência está vinculada ao amor. Quem ama obedece. O amor e a obediência moveram a vida de Jesus em Seu relacionamento com o Pai e deve mover a nossa vida no relacionamento com a Divindade.
Em Seu ensino o Senhor Jesus trabalha a tríplice dimensão do amor.
Na primeira dimensão, declara: “Amem-se uns aos outros”. v. 17. Neste caso o homem é a medida padrão no amor mútuo. Quem obedece ao mandamento divino e usa o bom senso para se amar se dispõe a amar o outro. Infelizmente, devido a natureza pecaminosa, o homem não é uma medida confiável na fidelidade exigida para o amor mútuo. Muitas vezes ama ou desama pela aparência, interesse ou conivência.
Na segunda dimensão, afirma: “...Como eu os amei, amem-se uns aos outros”. v. 12. Agora Jesus se coloca como paradigma ou modelo no amor mútuo entre eles, ou seja, devem se amar como Ele os ama. Sendo homem perfeito e não contaminado pela natureza pecaminosa, Ele se tornou o paradigma confiável e seguro na expressão do amor entre as criaturas de Deus. Nenhuma criatura ama, por si só, como Jesus. O seu amor ultrapassa os limites humanos porque tem como fonte e sustentação o amor de Deus.
Na terceira dimensão o Senhor Jesus coloca o Pai como paradigma ou modelo do amor a existir entre Jesus e os discípulos e neles: “Como o Pai me amou assim eu os amei. Permaneçam no meu amor”. v. 9. Mesmo sendo homem perfeito Jesus também é Deus e como Seu Filho exalta o Pai na expressão do Seu amor. Disse aos discípulos que os amava com o amor que havia recebido do Pai – amor divino, amor puro. Por sua vez os discípulos deveriam se amar com o amor que Jesus havia recebido do Pai associado ao amor com que Ele os amava. Só assim poderiam se amar verdadeiramente e permanecerem no amor de Jesus. Esse é o perfeito amor porque Deus é Amor. O amor ensinado por Jesus é para ser partilhado com os amados de Deus, isto é, o mundo, porque Deus amou Suas criaturas sem exceção. Se o Criador adotou essa conduta, não podemos adotar procedimento diferente. Amar é, portanto: mandamento a ser obedecido com alegria, é desafio, é honra. João 13. 34; 15. 9, 12, 17.
A unidade na vivência do amor de Jesus Cristo amplia nosso conhecimento sobre Deus e as Escrituras e abre-nos a porta para o recebimento das bênçãos divinas a nós reservadas. O atendimento das orações está vinculado ao nosso amor e obediência a Jesus Cristo. 1 João 3. 22; 5. 14 - 15.
A permanência em Jesus tem um começo. O ponto de partida é o novo nascimento, isto é, o momento em que o Espírito Santo nos move a acolher a Graça de Deus pela fé em Jesus Cristo. A seguir vem o crescimento como salvos até à maturidade e frutificação.
A salvação é o ato divino perfeito em nós, mas é nossa responsabilidade crescer na condição de salvo. Esse crescimento no presente é tão necessário quanto é a respiração para o corpo.
O apóstolo Paulo explica: “...ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor. Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, de acordo com a boa vontade Dele”. Filipenses 2. 12b – 23. (NVI). O apóstolo Pedro declara: “Cresçam, porém, na Graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, agora, e para sempre! Amém”. 2 Pedro 3. 18. (NVI).
O salvo considera as palavras de Jesus como norma a ser plenamente obedecida. Vale para nós o que Jesus disse em Mateus 11. 28 – 30; João 1. 12 – 13; 3. 16 e 5. 24.
O fato de sermos escolhidos por Deus em Jesus Cristo nos responsabiliza para viver na terra a vida que o Filho viveu como homem a fim de que Deus seja glorificado em todos e em tudo.

ENQUADRANDO-SE NA VISÃO
- Viver o Evangelho tal qual Jesus o viveu e anunciou é desafio para quem ama a Deus e se deixa amar por Ele.

DETALHES
- O ramo infrutífero, isto é, aquele que nada produz no Reino de Deus não perde a salvação porque nunca foi salvo. O que fazemos mostra quem somos verdadeiramente. Ninguém perde o que não tem. Mateus 7. 16 – 27. Somente quem faz a Vontade de Deus é Dele.
- Estar na igreja não garante a salvação, mas estar em Cristo faz toda a diferença na vida do salvo.
- No relacionamento onde a verdade é ignorada e a confrontação com o erro é evitada não há amor, há descompromisso, servidão e conivência. Há empobrecimento mútuo.
- Deus é Amor e Verdade. O amor e a verdade são inseparáveis nos relacionamentos inteligentes e fraternos. Amar sem verdade ou expressar a verdade sem amor promove distanciamento. Há plena saúde quando o amor é temperado com a verdade e esta com o amor. Jesus sendo Deus é Amor e expressão do amor de Deus. É nosso exemplo.

APLICAÇÃO
- Revele a verdade a quem você considera como amigo.
-
PENSAMENTO
O que fazemos está vinculado ao que consideramos verdade para nós. Só a Palavra de Deus é a medida correta para a espiritualidade e relacionamentos.

VERSÍCULO PARA DECORAR
Vocês já estão limpos pela Palavra que lhes tenho falado. v. 3. (NVI).

ORAÇÃO
Senhor capacita-me para amá-Lo verdadeiramente.

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